05/05/2008 - 10h13
Carolina do Norte e Indiana põem favoritismo de Obama à prova
Steve Holland
Em Washington
O pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama enfrenta nesta semana dois testes eleitorais na Carolina do Norte e em Indiana, onde terá de provar que não foi afetado pelas recentes polêmicas na disputa contra Hillary Clinton.
Estrategistas democratas acham que o senador conseguiu superar de forma satisfatória o mês de abril, o pior da sua campanha, marcado pela controvérsia em torno dos sermões do seu ex-pastor e de uma frase do próprio Obama a respeito da "amargura" dos moradores de pequenas cidades.
"Ele foi realmente afetado, sem dúvida. Mas parece estar se endireitando", disse o estrategista democrata Jim Duffy.
O maior dano foi causado pelo próprio reverendo Jeremiah Wright, ex-pastor da igreja que Obama freqüenta desde 1992 em Chicago. Em entrevistas, Wright retomou várias polêmicas que o candidato já havia deixado para trás, como a tese de que o governo dos EUA propagou deliberadamente a Aids entre negros. Obama acabou rompendo publicamente com o pastor.
O incidente afetou a intenção de voto em Obama. Pesquisa do Pew Research Center mostrou que ele agora supera Hillary na disputa pela indicação democrata por apenas 47 a 45 por cento -- depois de estar até 10 pontos percentuais à frente.
Mas Obama já acumula uma ampla vantagem no número de delegados para a convenção nacional de agosto. A estrategista democrata Liz Chadderdon acha que Hillary continua com poucas chances, mas ainda se agarra à esperança de um novo tropeço do rival e ao discurso de que ela teria mais chances de vencer a eleição geral de novembro contra o republicano John McCain.
"Ela está esperando pelo remorso do comprador. Ela espera desesperada pela grande gafe, e isso que é interessante: ela ainda não aconteceu", afirmou.
As pesquisas indicam favoritismo de Obama na Carolina do Norte e de Hillary em Indiana, o que faria a disputa interna democrata prosseguir. Uma dupla vitória de Obama poderia selar sua candidatura, enquanto uma dupla derrota tornaria o quadro mais confuso e daria mais argumentos à senadora na caça pelo voto dos "superdelegados" (dirigentes partidários e ocupantes de cargos eletivos que podem votar em quem quiserem).
Fazendo campanha em Indianápolis, Obama admitiu que o caso Wright foi ruim para sua candidatura, mas afirmou não saber até que ponto. Porém, deu a entender que não espera o fim da disputa já nesta semana. "Vamos ver o que acontece na terça-feira, e aí vamos continuar até as próximas disputas."
Analistas dizem que a prolongada disputa democrata é boa para McCain, e que o republicano vai poder reaproveitar várias polêmicas na eventual disputa contra Obama.
"Numa eleição geral, isto é o melhor que poderia acontecer para McCain", disse Andy Smith, professor de Ciência Política da Universidade de New Hampshire.
(Reportagem adicional de Caren Bohan)
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