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15/05/2008 - 14h16

Otto Reich retorna à vida política nos EUA como assessor de McCain

Da AFP
O polêmico ex-chefe da diplomacia americana para a América Latina, Otto Reich, conhecido por suas posições anticastristas e contra o governo venezuelano, retornou à vida política quatro anos depois, como assessor do candidato republicano à Casa Branca, John McCain.

"McCain é o candidato com mais experiência para assumir a presidência", declarou à AFP o ex-diplomata, nascido em Cuba há 62 anos, ex-enviado especial do Conselho de Segurança da Casa Branca para a América Latina (2002-2003) e ex-secretário de Estado adjunto para a região (2002-2003).

"Eu o conheço há 25 anos quando foi eleito pelo Congresso em 1982", relembrou Reich.

O ex-funcionário trabalhava na época no escritório de diplomacia pública do Departamento de Estado, no apogeu dos conflitos na América Central e quando os Estados Unidos apoiavam os "Contra" ante os sandinistas da Nicarágua.

Reich, que abandonou o governo quatro anos atrás para abrir sua própria assessoria, disse ter "mudado de opinião" com o atual candidato republicano sobre "o tema do dia: América Central, Nicarágua, El Salvador" e sobre os países invadidos pelos Estados Unidos Granada (1983) e Panamá (1989).

McCain, nascido em uma base militar americana do Panamá, aprecia em Reich sua "curiosidade intelectual e sua inteligência", disseram seus assessores.

Reich, que foi embaixador dos Estados Unidos na Venezuela de 1986 a 1989, tem sido seriamente criticado por não ter condenado a tentativa de golpe de Estado de 11 de abril de 2002 contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Quando o assunto é América Latina, afirmou dividir as mesmas opiniões com o veterano candidato à Casa Branca, como por exemplo, sobre Cuba, baseada na permanência do embargo aplicado em 1962.

Reich reconhece que McCain "sempre teve uma posição efetivamente muito direta e apropriada sobre Cuba", e criticou o pré-candidato democrata Barack Obama por declarar-se disposto a se reunir com o presidente Raúl Castro caso vença as eleições de novembro.

"Obama é uma pessoa, sem dúvida, muito eloqüente e muito inteligente, mas sem experiência. É ingênuo, totalmente inocente em questões de política exterior", afirmou o cubano-americano, ao criticar o democrata que luta pela indicação da candidatura democrata com a ex-primeira-dama Hillary Clinton.

"O fato de ter dito que está disposto a reunir-se com Mahmud Ahmadinejad (presidente do Irã), com Raúl Castro e o norte-coreano Kim Jong-Il, todos eles ditadores e inimigos dos Estados Unidos, demonstra claramente a razão pela qual eu apoio McCain", defendeu Reich.

"Obama tem zero experiência em política exterior", assegurou, em tom sarcástico e pouco diplomático.

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