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01/11/2008 - 07h00

Imigrante brasileiro espera anistia de sucessor de Bush

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em Pompano Beach (EUA)
Vários famosos brasileiros moram ou moraram em Miami. Na lista, há os polêmicos Fernando Collor, Celso Pitta, o juiz Lalau (Nicolau dos Santos Neto) e os bispos evangélicos Sônia e Estevam Hernandes. Também tem os pilotos Hélio Castroneves, Tony Kanaan e Christian Fittipaldi. E estão os eternos miamenses Leila Cordeiro e Eliakim Araújo (casal de apresentadores), além do cantor Peri Ribeiro.

Contudo, longe de serem celebridades, estão os brasileiros que formam a comunidade que conta com 300 mil pessoas na calorosa e praiana Flórida, segundo estimativa do consulado, com base no total de 1,1 milhão de compatriotas que devem viver no país mais rico do mundo (outros núcleos estão em Boston e Nova Jérsei).

Rodrigo Bertolotto/UOL
O sincretismo cultural mistura dia das bruxas com forró em Pompano
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O salão de beleza é uma das especialidades brasileiras
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A dupla "arroz com feijão" é traduzida para o inglês em bar
Ao norte de Miami, as cidades de Pompano Beach e Deerfield Beach foram escolhidas há mais de 20 anos como reduto dos brasileiros, afinal, a posição era estratégica: no meio das endinheiradas localidades de Fort Lauderdale e Palm Beach. Os pioneiros eram garçons, cozinheiros e pedreiros. As mulheres cuidavam da faxina das mansões.

A Sample Road é atualmente o centro comercial do gueto nacional, com dois shoppings só de lojas verde-amarelas. Virando na 12 Street fica a igreja batista capitaneada pelo pastor Silair Almeida, que empresta suas instalações todas as terças-feiras para o serviço itinerante do consulado brasileiro, que desloca seus funcionários 50 quilômetros da sede diplomática no downtown de Miami.

A comunidade parece dividida quando o assunto é a eleição entre Barack Obama e John McCain - poucos se interessaram pelas eleições municipais no Brasil, que terminaram uma semana atrás. "Tem dia que o pessoal chega aqui e só fala do Obama. No dia seguinte, é a vez dos homens que só falam no McCain", conta o baiano Hednilson Oliveira, que foi jardineiro, corretor de imóveis e hoje tem um restaurante brasileiro.

Há 21 anos nos EUA e 18 em Pompano Beach, ele se define como republicano e vai votar neles de novo. "Já ajudei a escolher o Bush duas vezes, ele não resolveu, mas eu sigo o Partido Republicano pelos conceitos morais e porque no governo Ronald Reagan (1980-1988) fui legalizado aqui."

Mas há os que querem o primeiro governante de origem negra dos EUA. "Meus dois irmãos vão votar naquele moreninho, o Obama. Eu simpatizo muito com ele também", brinca Rosemeire Arruda indo visitar a amiga que trabalha em um salão de beleza, uma das especialidades nacionais.

Já a goiana Margarida Oliveira, 12 anos nos EUA (quatro deles na Flórida), torce por Obama, mas diz que qualquer um deles terá de olhar para os imigrantes e fazer uma anistia geral. "O próximo presidente tem que parar com essa fixação com o terrorismo e olhar para dentro do país, para aquele estrangeiro que vive sob tensão continua com medo de ser expulso. Em um acidente de trânsito, a multa pode virar prisão, que pode se transformar em deportação", afirma Margarida, na frente de seu comércio de comida goiana.

Comunidade brasileira na Flórida
O cônsul adjunto em Miami, Luis Galvão, conta a mesma história, em forma de piada: "Falam aqui que o melhor motorista de Miami é o clandestino: ele tem tanto medo de ser pego que dirige com todo cuidado."

Mas o movimento maior é de quem sai por escolha própria, ou por falta de opção, afinal, a economia dos EUA está entrando em recessão. Com a crise no setor imobiliário após a bonança do crédito fácil, pouca gente está erguendo ou reformando casas, o que deixa os pedreiros brasileiros sem emprego.

Nas agências de viagem da Sample Road, de cada dez passagens para o Brasil, sete são de uma perna só (em inglês, one way). Ou seja, os brasileiros estão voltando mesmo com a atual subida do dólar.

O que não volta, porém, é o intercâmbio comercial de Brasil e Flórida, em uma mistura de aviões a sucos, que faz do Brasil o principal parceiro comercial do Estado - não por nada, Embraer e Cutrale instalaram fábricas por lá. As redes de churrascarias brasileiras também estão naquela porção tropical dos EUA. E as igrejas evangélicas "brazucas" já fincaram raiz no país que espalhou essa fé pelo mundo - a Assembléia de Deus, por exemplo, fez o caminho reverso e levou até um ex-Paquito da Xuxa para dar palestra pelas cercanias de Miami.

As tentativas de um canal de TV só da comunidade nunca se firmou. Por rádio, há só um programa de música brasileira. Só mesmo os jornais da colônia mantêm o elo patriota, com nomes como "Nossa Gente", "Brazilian Paper", "Brazilian Press", "Brasileiros e Brasileiras" e "Achei USA".

Neles, há muitos anúncios de advogados que prometem conseguir o título de residência (o conhecido "greencard") ou o de cidadania, o que daria direito de votar - morar há mais de cinco anos ou casar com um nativo são caminhos para se americanizar de vez.

Um desses tablóides promove até um concurso de miss entre as beldades nacionais da imigração. É o Miss Brasil Usa, com final marcada para o próximo fim-de-semana em Nova Jérsei. A Flórida já selecionou suas seis representantes, uma de cada reduto nacional nos Estados Unidos. Quem vencer pode ser a nova celebridade da comunidade, sem precisar fazer o que as figuras do início desse texto precisaram fazer para serem notórios.

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