03/11/2008 - 09h02
Michelle Obama, "a rocha" da família segundo o marido Barack
Teresa Bouza
Em Washington
Sua mãe a descreve como "um caráter forte", seus críticos como "dominante", e seu marido, o candidato democrata à Casa Branca Barack Obama, como "a rocha" da família, uma mulher firme que o mantém com os pés na terra.
Michelle Obama, advogada de Chicago de 44 anos que pode se transformar na próxima primeira-dama dos Estados Unidos, não se amedronta perante as dificuldades na vida.
Nascida e criada em um bairro pobre e negro no sul de Chicago, seus pais a educaram para que pensasse no possível e não no impossível, e a motivaram a se superar e a ter a educação que eles não puderam ter.
"Meus pais repetiram várias vezes para mim e para meu irmão Craig: 'Não nos digam o que não podem fazer e não se preocupem com o que poderia não funcionar'", diz Michelle com freqüência nos atos eleitorais a favor de seu marido.
Sua mãe, Marian, forneceu o carinho e a disciplina necessários para que seus filhos, a quem só deixava ver televisão uma hora por dia, seguissem em frente.
Seu pai, Fraser Robinson, era um homem de poucas palavras e muita autoridade que madrugava diariamente para ir para o trabalho no departamento de serviços hidráulicos da Prefeitura de Chicago, apesar de sofrer de esclerose múltipla.
"A última coisa que queríamos era decepcioná-lo", declarou Michelle Obama em fevereiro em uma entrevista à revista "Newsweek", na qual lembrou que quando pequena derramava lágrimas quando, por causa de alguma travessura, seu pai lhe dizia "estou decepcionado".
A jovem Michelle se propôs a não decepcioná-lo e ignorou os professores que lhe disseram que não tinha a capacidade para ir a uma universidade "Ivy League", um reduzido grupo de exclusivos centros acadêmicos no litoral Leste do país.
Sua força de vontade a levou a duas dessas universidades: Princeton e Harvard, onde estudou Sociologia e Direito.
Em ambos os centros envolveu-se em atividades para aumentar a minúscula cota de professores e estudantes negros.
Quando saiu de Harvard começou a trabalhar em um famoso escritório de advogados de Chicago, onde alguns anos mais tarde chegaria Barack Obama, que pouco depois de conhecê-la convidou-a "para sair".
Michelle Obama se mostrou reticente em um primeiro momento a "misturar prazer com negócios", mas demorou pouco a se render aos encantos de Barack.
Em 1991, faleceu seu pai e quase ao mesmo tempo uma de suas melhores amigas morreu em Princeton.
Esses dois eventos fizeram com que remodelasse sua vida, levando-a a buscar sua verdadeira paixão: o trabalho social, e a deixar-se guiar por ela. Em 1992 se casou com Obama.
A entrada de Obama na corrida presidencial a levou a deixar temporariamente seu trabalho para envolver-se em tempo parcial na campanha, uma tarefa que divide com sua prioridade "número um": o cuidado de suas filhas Malia e Sasha.
Sua maior exposição pública deixou claro que Michelle Obama é uma pessoa segura de si mesma, mas também alguém com uma personalidade forte, direta e sarcástica, o que lhe causou problemas.
Em fevereiro, ganhou fama de "ressentida", após dizer que era a primeira vez que se sentia "realmente orgulhosa de seu país".
Essas afirmações foram feitas para dizer que não tinham nada a ver com o fato de Obama ser o primeiro negro a concorrer à Casa Branca, mas com a grande participação popular no processo.
Além disso, seus comentários que Obama ronca, tem mau hálito de manhã, se esquece de colocar a manteiga na geladeira e deixa meias soquetes jogadas por toda a casa, ajudaram-na a ganhar os qualificativos de mulher "dominante" e "castradora", como a descreveu Maureen Dowd, colunista de "The New York Times".
Ela diz que o que procura é "humanizar" Obama. Seu esposo a defende, assegurando que é o amor de sua vida e a mulher que o ajuda a "não desnortear-se".