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17/04/2008 - 14h15
A quatro dias das eleições, candidatos paraguaios ainda se insultam e temem fraudes no dia do pleito
Carolina Juliano Enviada Especial do UOL Em Assunção (Paraguai)
No próximo domingo (20), cerca de 2,8 milhões de paraguaios vão às urnas para escolher seu novo presidente em uma eleição de apenas um turno, que elegerá o candidato que atingir a maioria absoluta dos votos para comandar o país pelos próximos cinco anos.
A quatro dias do pleito, e com os três principais candidatos à sucessão de Nicanor Duarte Frutos muito próximos nas pesquisas de intenção de voto, o clima que predomina nas campanhas - que se encerram nesta quinta (17) - é de insultos e denúncias de que possíveis fraudes venham a atrapalhar a eleição.
As eleições gerais de 2008 podem mudar a história política do Paraguai. O país chega à reta final do pleito tendo em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto o ex-bispo católico Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança. Um candidato ligado a movimentos sociais e que representa a oposição mais nítida à política do Partido Colorado, há 61 anos no poder.
Lugo tem 34,5% das intenções de voto dos paraguaios, segundo a última pesquisa, divulgada no domingo (13) pelo jornal "Última Hora". Em segundo lugar, praticamente empatados, estão o ex-gereral Lino Oviedo, do Partido União dos Cidadãos Éticos, (28,9%), e a governista Blanca Ovelar (28,5%). Esses números consideram um cenário com 65% da participação dos eleitores, mesmo índice registrado nas últimas eleições presidenciais, em 2003.
O candidato da oposição declarou hoje, em entrevista ao jornal argentino "Clarin", que "será fraude" caso vença outro, que não ele. Lugo disse que "já houve denúncias de cédulas que aparecem marcadas, mudanças de eleitores de uma povoação para outra, além da compra de títulos de eleitor", e lembrou que há 14 meses sua candidatura lidera as pesquisas eleitorais.
Do outro lado, o partido do atual governo anunciou na manhã de hoje em uma conferência de imprensa que irá gastar 8,5 bilhões de guaranis (R$ 3,2 milhões de reais) para dar suporte a cerca de 89 mil afiliados para que eles participem e estejam atentos no domingo para que a eleição "seja transparente".
A candidata colorada atribuiu as denúncias de Lugo ao crescimento gradual de sua candidatura nas pesquisas, disse que os paraguaios sabem fazer eleições limpas, que a mudança no país não será de cor, mas no "conceito da política", e que o Paraguai terá pela primeira vez uma mulher na Presidência.
Defendam o voto como à própria vida O temor de romper com as seis décadas de hegemonia colorada levou o presidente Nicanor Duarte a pedir, na noite de ontem durante o encerramento da campanha de Blanca Ovelar, que os colorados "defendam seu voto como se estivessem defendendo sua própria vida".
O presidente atacou duramente Fernando Lugo, a quem acusou de ser um candidato que "pede socorro a líderes sindicais argentinos fracassados e corruptos", e bradou que "não vão vir bandidos do Equador, Venezuela ou Colômbia a querer ditar regras de democracias" para os paraguaios, referindo-se ao apoio que Lugo recebeu dos presidentes destes três países.
Blanca Ovelar também foi dura com seu principal oposicionista, mas mirou outro ponto do ex-bispo católico. Ela declarou que pode "se agüentar perfeitamente em pé se colocarem em suas costas todos os erros que o Partido Colorado cometeu em 60 anos", mas que se ela "colocasse sobre as costas de Fernando Lugo todos os pecados da Igreja Católica, ele não conseguia se manter".
Pressão sobre juízes e fiscais A imprensa paraguaia parece tomar as dores da oposição e concentra-se a denunciar uma série de possíveis irregularidades que podem macular a eleição de domingo. O principal diário do país, o "ABC Color", traz na edição de hoje uma reportagem que acusa o atual governo de pressionar juízes e fiscais a votar em Blanca Ovelar.
"No Ministério Público, encabeçado pelo fiscal geral do Estado, e no Palácio da Justiça, por meio de operadores que usam a discrição das linhas telefônicas, estão se exercendo fortes pressões sobre juízes e fiscais para votarem na Lista 1, encabeçada por Blanca Avelar". Segundo ainda a reportagem, isso demonstra "a submissão da Justiça ao Partido Colorado".
O "ABC" revela também que no Palácio da Justiça, aos funcionários que trabalharem pela candidata do governo, foi prometido um "extra" de 500 mil guaranis (quase R$ 200) depois que Blanca for eleita.
'Fuga' para os Estados Unidos? O candidato Lino Oviedo resolveu esquivar-se do fogo cruzado entre Lugo e Blanca e chegou a anunciar que teria que viajar "repentinamente" na noite de hoje para os Estados Unidos, pois teria recebido um convite "muito importante para suas pretensões políticas".
A imprensa local interpretou a viagem de Oviedo como uma "saída estratégia" que poderia ser entendida como um apoio informal a Blanca Ovelar. Diante dessa interpretação, o presidenciável do Punace foi à televisão e informou que ainda não está certa a sua viagem, e que "o partido decidirá isso em reunião marcada para as 20h de hoje".
Oviedo ressaltou, no entanto, que não queria os paraguaios pensassem que ele havia "jogado a toalha" ou que poderia estar recomendando o voto útil na candidata colorada. "Sigo em campanha e não vou desperdiçar um minuto sequer até o fim", disse.
Último debate Dois dos três principais aspirantes ao governo paraguaio e ainda o candidato do Partido Pátria Querida, Fernando Fadul, participam na tarde de hoje do último debate eleitoral, que será realizado pela emissora Telefuturo.
O favorito Fernando Lugo anunciou nesta quinta sua desistência, alegando que "não existem neste momento as condições políticas para poder participar de um encontro destas características".
Ele deve encerrar sua campanha com um grande comício na Praça do Congresso. Já Lino Oviedo não divulgou como pretende terminar a corrida eleitoral do seu partido.

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