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19/04/2008 - 21h37
Pressionada, Justiça Eleitoral do Paraguai autoriza presença de observadores na contabilização dos votos
Carolina Juliano Enviada especial do UOL Em Assunção
As autoridades paraguaias estimam que às 22h deste domingo já será possível anunciar quem será o novo presidente da República. Isso porque será utilizado um sistema muito polêmico de transmissão de dados. A chamada Transmissão Rápida de Resultados Eleitorais (Trep) ainda suscita desconfianças na véspera da eleição.
A APC (Aliança Patriótica para a Mudança), coligação do candidato Fernando Lugo, anunciou há alguns dias que não reconheceria o avanço de resultados do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), ao argumentar que não participou do seu processo de execução.
A APC explicou que de dez funcionários do TREP, sete pertencem ao Governo e três à oposição, e expressaram seu temor de que o TSJE acrescente dados que favoreçam ao partido do governo.
Urnas brasileiras são rejeitadas Nas últimas eleições presidenciais, de 2003, a população do Paraguai votou em urnas eletrônicas fornecidas pelo Brasil. Nicanor Duarte, do Partido Colorado, venceu o pleito. No dia seguinte, o sistema de votação acabou questionado por partidos da oposição, que não conseguiram aferir o grau de segurança da urna utilizada.
Para estas eleições, os partidos de oposição - que tentam pôr fim a seis décadas de domínio do Partido Colorado, conseguiram na Justiça uma medida que obrigou a realização da votação por meio de cédulas de papel. As urnas eletrônicas brasileiras permanecerão encaixotadas em um depósito de Assunção.
Pleito terá observadores da OEA A missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) que está no país para assegurar uma eleição sem fraudes neste domingo questionou o fato de nenhum representante da oposição poder acompanhar a transmissão dos resultados, que se deve fazer diretamente da mesa das seções eleitorais, à sede da Justiça.
Diante da pressão, o TSJE autorizou neste sábado (19) a presença de observadores dos partidos políticos na transmissão preliminar dos resultados. O chefe da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (Ifes, na sigla em inglês), o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, que também está no Paraguai como observador, considerou a medida importante e, em reunião com o presidente Nicanor Duarte disse que a medida dará mais legitimidade ao processo eleitoral.
Anúncios reiteram lisura do processo A Justiça Eleitoral tem publicado diariamente, esta semana, anúncios de página inteira nos principais jornais do Paraguai em uma tentativa de garantir aos eleitores que o processo eleitoral será ordenado e seguro. Na sexta-feira, em um informe intitulado 'a verdade sobre o Trep', o TSJE lembrou que foi feita uma apresentação ampla do sistema de transmissão de resultados, desde os locais de votação, por fax ou voz, até o processamento informático.
O Tribunal rebateu ainda as críticas de setores da imprensa que dizem que o software de compilação dos votos não é seguro e que não há fiscalização sobre todo o processo. Em anúncio publicado na edição de hoje, o TSJE dirige-se diretamente aos eleitores, informando que ir votar é "um dever, um direito e uma função pública da democracia".
Em oito tópicos, a Justiça assegurou que todos os preparativos para o pleito de domingo estavam prontos; que as cédulas já foram distribuídas devidamente fiscalizadas por juízes eleitorais; que o Trep é seguro e eficiente. Informou ainda que as Forças Armadas irão patrulhar os veículos que transportarão as cédulas.
Nunca houve no Paraguai tantos cuidados por parte do Tribunal Eleitoral e nenhuma eleição foi tão vigiada como será a que ocorre neste domingo. Analistas consideram que o país vive uma eleição "atípica" porque é a primeira vez, em mais de 60 anos, que o Partido Colorado se vê ameaçado de deixar o poder.
Segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, o ex-bispo católico Fernando Lugo deve vencer as eleições por uma diferença que varia de 6 a até 10 pontos de vantagem. Em segundo lugar estão praticamente empatados a governista Blanca Ovelar e o ex-general Lino Oviedo.

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