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20/04/2008 - 13h56
Boca-de-urna paraguaia tem tenda e aperto de mão

Diogo Pinheiro
Enviado especial do UOL
Em Ciudad del Este

São oito horas da manhã de domingo em Ciudad del Este e a fila de carros já é grande. Difícil encontrar lugar para estacionar. Veículos novos e velhos estão parados em fila dupla e no canteiro central da avenida. Nada de "flanelinhas", apenas alguns seguranças armados em postos de gasolina que servem de estacionamento para quem não arrisca deixar o carro na rua. Sem falar da polícia. Há pelo menos uns 50 homens.

Na rua que dá acesso ao principal ponto de votação da cidade, na fronteira entre o Paraguai e o Brasil, há uma infinidade de barraquinhas oferecendo comida, cigarros e bebida sem álcool. Lembra a entrada de um estádio de futebol no Brasil.

ELEIÇÕES NO PARAGUAI
Diogo Pinheiro/UOL
Paraguaios votam em cédulas de papel nas eleiões deste domingo
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Boca-de-urna organizada no Paraguai: até tendas são montadas
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Segurança armado vigia posto de gasolina próximo a colégio eleitoral
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Apesar de a legislação eleitoral paraguaia proibir a campanha de boca-de-urna em um raio de 200 metros do local de votação, alguns candidatos estão de plantão. "Estou só cumprimentando alguns amigos", diz Eleoncio Rojas, que concorre a uma vaga para deputado estadual. A reportagem conversou outros três candidatos que faziam o mesmo na porta e até dentro do colégio.

Além de seu novo presidente, os paraguaios também elegem neste domingo deputados, representantes distritais, senadores e governadores.

Na porta do colégio, garotos oferecem jornais com manchetes sobre as eleições. Adolescentes também trabalham fazendo pesquisas de boca-de-urna. Mais uma dúzia de policiais com capacetes e escudos no chão. "Tudo tranqüilo", informa um deles.

O vai-e-vem de pessoas não pára. Só no colégio do Centro Regional, quase 22 mil eleitores são esperados.

Tendas
Cada um dos principais presidenciáveis paraguaios montou tendas ao lado do colégio eleitoral. A do Partido Colorado, que governa o país há 60 anos, é a maior. Nessas tendas, o eleitor pode ser informar sobre o local de votação. Um "simpatizante" do partido se oferece para acompanhar o eleitor, numa tentativa de ganhar a simpatia e votos de última hora. Funcionários da Justiça Eleitoral prestam o mesmo serviço na entrada do colégio.

"Este ano, o povo está bem interessado nas eleições, principalmente pela variedade dos candidatos. Temos um ex-religioso, um ex-general e uma mulher. Nossa preocupação é que o pleito seja transparente e que o país, depois dele, ande para frente. Nós estamos aqui para fiscalizar. Não pode induzir o eleitor. Quando não há controle, pode haver fraude", afirma Maria Adelaida Vasquez, uma das quatro promotoras designadas para fiscalizar as eleições no colégio.

Filas nas 108 mesas de votação, que funcionam como a sessão eleitoral no Brasil. Nesta eleição, o voto é feito em cédulas. O eleitor recebe seis. Vota na cabine. Depois de depositar o voto na urna, deixa a impressão digital para controle dos fiscais.

PRINCIPAIS CANDIDATOS
Reuters
Ex-bispo, o candidato Fernando Lugo é tido como o 'pai dos pobres' no Paraguai e lidera as pesquisas de intenção de voto
Reuters
Candidato Lino Oviedo é ex-general e se apresenta ao eleitorado como 'perseguido político' e 'homem de mão forte'
Reuters
Blanca Ovelar já foi ministra da Educação em duas ocasiões e representa a continuidade do atual cenário político paraguaio
PERFIL DE FERNANDO LUGO
PERFIL DE LINO OVIEDO
PERFIL DE BLANCA OVELAR
"Queremos que os políticos cumpram as promessas. O povo paraguaio está com muita esperança. Precisamos de mais emprego, saúde, educação e segurança", afirma Ramon Corrales, 41, administrador de empresas, que afirma ter votado em Blanca Avelar, a candidata da situação.

A estudante Marisa Pieta, 18, vota pela primeira vez. "Eu espero que a educação melhore. Eu preciso de um emprego também", diz, após declarar voto em Fernando Lugo, ex-bispo católico de esquerda.

Na sessão ao lado, Rosa Caído, 81, segue de bengala e é amparada pelo filho para votar. "Eu espero a mudança, dias melhores para o povo paraguaio", diz. Irrita-se ao ser questionada sobre o candidato de sua preferência a declarar o voto. "É secreto", conclui.

Depois de votar, muitos eleitores continuam no pátio do colégio, acompanhando a movimentação da imprensa local. Rádio e TVs fazem boletins ao vivo.

Ruan Miguel Franca, 67, que trabalha em uma confecção, prefere ir para casa. Compra um jornal e diz: "Depois de votar, o certo é ficar em casa, acompanhando tudo pela TV. Logo o pessoal começa a se exaltar e pode ter confusão. Vamos esperar um país mais tranqüilo, mais equilibrado e com mais trabalhos".