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20/04/2008 - 19h00
Eleições paraguaias esvaziam Ciudad del Este e superlotam cataratas

Diogo Pinheiro
Enviado especial do UOL
Em Ciudad del Este e em Foz do Iguaçu

Se do lado paraguaio da fronteira, os eleitores fizeram fila para escolher o novo presidente do país, na margem brasileira do rio Paraná, que divide os dois países, o domingo também foi de fila. Para muitos, culpa das eleições no país vizinho.

Com o pleito, o tradicional comércio de eletroeletrônicos, roupas e demais mercadorias em Ciudad del Este ficou às moscas. Apenas alguns vendedores ambulantes trabalharam. O movimento na Ponte da Amizade, que liga os dois países, foi tranqüilo o dia todo, bem diferente do normal.

Os turistas que ocupam cerca de 80% da capacidade dos hotéis de Foz do Iguaçu (PR), do outro lado da ponte, não tiveram escolha. Abriram mão do Paraguai e lotaram os mirantes do Parque Nacional do Iguaçu para observar as cataras do rio com o mesmo nome.

Segundo a organização do parque, eram esperados cerca de 5.000 turistas neste domingo, por causa do feriado de Tiradentes. Entretanto, cerca de 11.000 pessoas, mais que o dobro do previsto, visitaram o principal ponto turístico da região neste domingo.

"Eu pensei em ir para o Paraguai fazer compras, mas por causa das eleições, está tudo fechado. Resolvemos aproveitar as cataratas", conta a professora Cristiane Arruda, 32, de Bauru, interior de São Paulo.

Apesar de afirmarem não conhecer quase nada da política paraguaia, alguns turistas brasileiros dizem estar atentos ao que acontece no país vizinho. "Eles têm uma situação muito complicada. Como o Brasil é aberto ao diálogo com vários países, deveria ajudar o Paraguai", disse a professora de Bauru.

"Tudo o que acontece em um país vizinho interessa. Ainda mais se o país é do Mercosul", afirmou o corretor de seguros Davi Bandeira, 46, de Curitiba, que diz estar acompanhando o processo eleitoral paraguaio.

Mas nem todo mundo está preocupado com o que acontece do outro lado da fronteira. O comerciante Pedro Melniq, de 40 anos, que mora em Foz de Iguaçu, e é casado com uma brasileira que foi criada em Ciudad del Este, disse que nem sabia das eleições.

"Não acompanho. Quero distância. Estou querendo me mudar daqui. É cheio de assalto, roubo; Muita violência", conta, ao lado da mulher e de parentes que vieram conhecer as cataratas. "Eu só fiquei sabendo hoje", disse Lídia, a mulher do comerciante. "Mas nem sei quem são os candidatos", completou.

Com um novo presidente eleito, tudo deve voltar ao normal no Paraguai nesta segunda. Pelo menos na Ponte da Amizade, em Ciudad del Este. "Se hoje não deu, eu vou amanhã", diz a professora Cristina, atrás, como muitos brasileiros, dos atrativos do lado de lá da fronteira.