A favelada à beira do asfalto: Norma Nascimento
O LOCAL
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Região do Ceasa
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Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo
Taisa e Talita aprenderam a andar faz pouco tempo, mas não têm pra onde correr. O barraco em que moram está em uma microfavela cercada por todos os lados, com trilhos de trem, presídio, unidade da antiga Febem (atual Fundação Casa) e a marginal Pinheiros ocupando cada aresta. “Elas estão entre a cruz e a espada”, resume a avó Norma Nascimento, uma pernambucana de 37 anos. “Não consigo dormir à noite pensando que minhas netas podem morrer atropeladas ou serem feitas reféns pelos presos. Fico perturbada.”
Os porteiros da Febem, apiedados, fornecem a água potável em latões para os vizinhos provisórios - a energia é na base do "gato". A parte da favela que estava em terreno da prefeitura foi desalojada. Como opção uma passagem só de ida para o Nordeste, morar em albergue municipal ou procurar uma casa de parente. Muitos se amontoaram na área pertencente à prisão de menores.
Foi o que aconteceu com o alagoano Luis Paulo Gomes, 22, genro de Norma. Oito anos em São Paulo, ele é engraxate e carregador no Ceasa. Todo o dia, ele atravessa com a família uma ponte exclusiva do trem para Osasco para tomar uma chuveirada na casa da sogra. "É isso ou morar na rua. Está ruim, mas embaixo de um teto, mesmo que de lona", afirma ele, que tem em mãos telefones de canais de TV, que imagina ser a única arma para brecar nova desocupação por parte da polícia.