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O ambulante da via expressa: Raimundo Pereira da Silva

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O LOCAL

Acesso da rodovia Castelo Branco
Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo

Ele vende água engarrafada pra quem está no engarrafamento da marginal Pinheiros. Para isso, sai de sua casa em Osasco às 5h e puxa durante duas horas um carrinho, até estacionar no canteiro central da marginal, sempre com trânsito parado pela manhã. Ao meio-dia é hora de correr para seu ponto na beira do Tietê, no acesso à rodovia Castelo Branco.

O piauiense de 43 anos que vive há 22 em São Paulo já foi pedreiro e metalúrgico, mas hoje prefere os R$ 1.200 que ganha mensalmente no asfalto a um emprego na carteira: "Minha irmã me ofereceu um trabalho de R$ 580. Não compensa." A garrafinha de água mineral que compra por 37 centavos no atacado ele vende por R$ 1,50 (R$ 2 se o carro for de bacana). Ele conta que alguns vendedores colocam mulheres e filhas em roupas justas para lucrar mais na função. "Se for para uma mulher, o motorista paga R$ 3 por um refrigerante e nem reclama. Com a gente, eles chamam até de ladrão."

Nas poucas horas em que a via expressa cumpre sua função, Raimundo fica sem trabalhar e aproveita para ler a Bíblia ao som dos automóveis que passam rente e acolchoado pelos pacotes de pipoca industrial. Dormir nem pensar: "Algum fiscal da prefeitura pode vir e querer apreender tudo. Os caminhoneiros nos avisam quando aparece o rapa." Se a marginal é a praia dos paulistas (como os cariocas brincam), Raimundo é uma prova disso.


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