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O último borracheiro: Severino da Silva

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Ponte do Jaguaré
Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo

Em uma noite de forró na favela do Ceasa, ele se engraçou com uma morena e foi morar no barraco dela. Foi um alívio deixar o alojamento da Camargo Correa, empreiteira para qual trabalhava de pedreiro. Mas logo vieram os filhos, e Severino teve que arrumar mais dinheiro para sustentar tanta gente. Acabou virando borracheiro na outra margem do rio, na favela do Jaguaré.

O apelido de "Paraíba" é mais que justificado: ele nasceu há 39 anos em Guarabira, cidade a 100 km de João Pessoa. Sua cidade natal é conhecida como "a Rainha do Brejo" por chover com regularidade. Mas ele se achou na várzea do rio Pinheiros. "Não me acostumo mais com o ritmo de lá. Voltar só para visitar", diz.

Os visitantes que prefere em sua borracharia são os caminhoneiros, que sabem que aquele é o último lugar para reparar os pneus para quem está indo sentido Interlagos. Quem não é bem recebido são os ratos. “Aqui o rato a gente trata no tiro. Eles gostam de comer chumbinho”, brinca.

Por enquanto, ele mora com a família nos fundos da borracharia. Espera que em seis meses esteja morando em um dos apartamentos do conjunto habitacional que está sendo construído ali para ocultar aos olhos de quem passa pela marginal a tradicional favela que fica atrás dele.


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