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Personagens das marginais

Flávio Florido/UOL
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O descarregador autônomo: Rodrigo de Souza

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O LOCAL

Acesso da rodovia Castelo Branco
Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo

Quem passa e lê as placas pintadas com a palavra "chapa" em letras disformes pode imaginar que ali vende-se placas de ferro. A denominação, porém, também serve para o trabalhador que, de forma autônoma, ajuda caminhoneiros a carregar e descarregar seus veículos. A cada entrada de cidade lá estão eles. E não é diferente na mistura de rodovia e avenida que são as marginais.

Além das placas "chapa informa" e "chapa guia", as fogueiras ajudam a localizar os profissionais. A fumaça é a propaganda. O calor ameniza o início do expediente, ainda de madrugada. Rodrigo, 47, chega diariamente há três anos às 4h da manhã a seu ponto na marginal Pinheiros. "Duro é descarregar carne, pelo peso, ou piso, pela fragilidade. Prefiro quando trabalho com caminhoneiro que conheço, com um de Recife que sempre traz camarão", diz.

A função serve de bico para homens de meia-idade que já não encontram emprego fixo. No caso de Rodrigo, ele está à espera de sua rescisão com a empresa de mudanças Graneiro, onde trabalhou, para comprar uma casa em São Paulo, cidade em que vive desde 1978, quando abandonou Tutóia, no Maranhão. O dia de "chapa" pode não render nada, só chuva e muito sol. Um carregamento, que paga de R$ 20 e R$ 100 dependendo da quantidade, peso e distância, compensa as intempéries.


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