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O grafiteiro do esgoto: José Augusto Amaro Capela

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Ponte do Limão
Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo

A escolha de pintar paredes de viadutos nos subterrâneos de São Paulo garantiu convites para expôr na França e Inglaterra, mas também rendeu situações de risco para o grafiteiro Zezão. Certa vez, ele pisou em um prego em meio ao esgoto e tomou 12 vacinas para evitar o pior. Em outra oportunidade, teve que sair correndo de uma galeria para não ser levado por um "tsunami" de água servida. "Não percebi que estava chovendo, uma comporta foi aberta e quase fui parar no meio do Tietê", conta ele, que freqüenta também a Cracolândia, por onde espalha seus desenhos em azul.

Em suas incursões, nunca foi parado por algum guarda. Afinal, quem vai ficar vigiando os lugares mais repugnantes da cidade? “Já fui taxado de 'Jackass', mas não faço isso por prazer do nojento ou por rebeldia. É para valorizar um local degradado da cidade”, diz, citando a série de TV norte-americana na qual jovens se colocam em situações de risco. O termo 'jackass' também pode ser traduzido como 'idiota.'

Zezão cresceu no bairro do Canindé, vizinho ao Tietê. Foi motoboy, mas apostou na carreira artística e acertou levando seus grafites aonde ninguém pode ver (ele fotografa as intervenções). "Tem gente que passa na marginal e vê o grafite na saída dos córregos e acha que é alguma idéia da Sabesp, mas as autoridades nem sabem da minha existência", conta Zezão na boca da galeria do riacho batizado de Playcenter, por passar por baixo do parque de diversões.


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