O morador de classe média: Ronaldo Reche
O LOCAL
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Ponte da Casa Verde
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Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo
As marginais servem de endereço para a Daslu, o WTC paulistano, favelas e cadeias. Mas no meio do chavão dos contrastes lá está espremida a classe média, não só dentro dos carros, churrascarias e lojas de atacado. Os sobrados da rua Aipó, na Casa Verde, dão de cara com o trânsito 24 horas da via. Em um deles, vive o vendedor de ventiladores Ronaldo, 42, com a mulher e dois filhos.
O ruído dos motores não o incomoda. Já o dos mosquitos... “Com o cheiro e o barulho, você acostuma. Mas com rato e mosquito não há como conviver”, teoriza. Quando cimentaram as margens do rio, os ratos migraram para sua rua. “Encontrei em uma manhã 11 ratos no meu quintal”, conta. Além da ratoeira nos cantos, o mosquiteiro nas janelas é item essencial.
De férias, os filhos ficam trancados em casa o dia todo. Maurício, 10, e Guilherme, 7, só saem para a praça diante da marginal para brincar com um helicóptero teleguiado (presente de Natal) e subir nas árvores cheias de fuligem. Nem pensar em jogar futebol na grama alta de lá. “Se a bola for para a marginal, talvez ela pare só na frente da Castelo Branco a vários quilômetros daqui", brinca Ronaldo. Ele celebra, porém, a rua como bom ponto comercial para seu ramo: "É perto do centro e das rotas de saída da cidade."