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09/05/2008 - 08h00
Investimento em transporte público e mudanças na ocupação de SP são as soluções apontadas por especialistas para o trânsito
O UOL consultou quatro estudiosos da área de transportes para saber que medidas podem ser tomadas para desafogar os congestinamentos da capital

Ana Luisa Bartholomeu
Ana Sachs
Em São Paulo

Ampliação de rodízio, implantação de pedágio urbano, expansão do metrô, melhoras gerais nas condições de transporte público... São muitas as idéias e projetos com intenção de reduzir o angustiante e crescente drama em que se tornou o trânsito da maior cidade da América Latina. O UOL ouviu especialistas para saber os prós e os contras das possíveis soluções para reduzir os congestionamentos em São Paulo. Investimento em transporte público e uma nova forma de ocupar a cidade foram apontados como os dois principais itens que ajudariam a desafogar o trânsito da capital paulista.

O transporte público, obviamente, porque é capaz de levar mais pessoas, ao mesmo tempo em que toma um espaço menor nas ruas do que um carro. Já a ocupação do solo, feita de forma desordenada e irregular em São Paulo, pode interferir de forma direta no número de deslocamentos diários na cidade.

Para o curto prazo, Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), defende o investimento maciço nos corredores de ônibus. "O ônibus é a única solução a curtíssimo prazo. O metrô é muito demorado para implantar e muito caro", apontou. Mas para que isso aconteça, vai ser preciso muito pulso firme dos governantes para "apertar o automóvel", na avaliação do especialista.

Já o ex-secretário estadual de transportes de São Paulo Dario Rais Lopes lembra a importância de políticas que incentivem as pessoas a voltarem a morar no centro da cidade, que perdeu, nos últimos 11 anos, segundo ele, cerca de 400 mil moradores. "Se trouxermos essas pessoas de volta para o centro, evitaríamos algo na ordem de 700 mil a 1 milhão de viagens diárias", disse.

Para a maioria dos especialistas consultados, o rodízio é uma solução com prazo de validade vencido, e o debate sobre sua ampliação é impróprio para uma cidade prestes a entrar em colapso. A frota cresceu exponencialmente nos últimos 10 anos, chegando aos 6 milhões de veículos e hoje, com o rodízio, a frota liberada de multa (cerca de 4,8 milhões de veículos) é 20% maior do que o total de veículos existentes em 1997, quando a medida entrou em vigor, lembra Horácio Figueira.

VEJA ENTREVISTA COM EX-SECRETÁRIO
Outra solução bastante debatida, o pedágio urbano nas áreas centrais da cidade, divide os especialistas. Alguns, como Dario Rais Lopes, acham que a medida pode gerar recursos para a cidade. Outros fazem ressalvas ao modelo. "Será difícil chegar a um valor socialmente praticável e, ao mesmo tempo, capaz de reduzir os congestionamentos paulistanos de forma drástica. Sem contar a preocupação de como e onde esse dinheiro será empregado", afirmou o professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) e doutor em engenharia de transportes Hugo Pietrantonio.

A falta de vistorias regulares da frota e a escassa fiscalização nas ruas geram perdas para a cidade, na avaliação dos especialistas. O professor da Poli-USP e especialista em transportes Jaime Waisman estima que um terço da frota em circulação atualmente em São Paulo apresenta irregularidades, como multas e impostos pendentes, desrespeito ao rodízio municipal e não cumprimento das vistorias regulares. "Uma fiscalização mais eficiente poderia gerar uma receita de cerca de R$ 1 bilhão no primeiro ano. Este montante poderia ser aplicado, por exemplo, em transporte público", apontou.

Estacionamento, obras e logística
Com sucessivos recordes de congestionamento na cidade, a prefeitura resolveu agir e anunciou um pacote com medidas emergenciais para tentar amenizar o caos. Entre elas está a readequação do estacionamento em vias de grande movimento. Mais do que proibir os carros de parar nas ruas, Jaime Waisman acredita que é preciso, também, uma nova política de estacionamento para o centro da cidade. "A cada dia há mais espaços e os preços estão caindo. Isso atrai mais carros para a área central", disse.

Obras em 19 pontos de gargalo na cidade, novos horários para carga e descarga em 17 vias de grande movimento e a inclusão de caminhões no rodízio municipal também fazem parte do pacote. Hugo Pietrantonio questiona a eficácia das medidas da prefeitura. "O que está em discussão não parece cabível. Em grande parte das vias, os caminhões são 1%, 2%, 5% do tráfego e já se deslocaram para os períodos menos congestionados", argumentou.

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