O presidente da TAM, Marco Bologna, repetiu na tarde desta quarta a mesma posição da maior parte das autoridades no caso do acidente com o airbus A-320: pediu as investigações sejam aguardadas e evitou indicar as possíveis causas da tragédia. Mas descartou algumas delas.
Em entrevista coletiva, foi vago sobre a crise aérea e as razões do acidente. Mas incisivo contra especulações sobre possibilidades de negligência da TAM. Ele descartou problemas no airbus e negou "absolutamente" qualquer relação entre o acidente e o tamanho e peso do avião. "A aeronave estava em perfeitas condições de operação", disse.
Bologna afirmou que o A-320 estava homologado e autorizado a operar nas condições do vôo JJ 3054 - ou seja, não era grande demais para a pista de Congonhas e transportava peso dentro do autorizado para um pouso naquele aeroporto, com chuva, em pista sem ranhuras. O presidente da empresa disse ainda que a aeronave estava em dia com as revisões - a última aconteceu há pouco mais de um mês - e que "não há registro de nenhum problema com essa aeronave em nenhum lugar".
| O Superintendente de Engenharia da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Armando Schneider Filho, negou hoje, durante entrevista coletiva, que o acidente com o avião da TAM ontem tenha sido causado por uma derrapagem da aeronave. "Se (a pista) estivesse em condições de inoperância, ou seja, com acúmulo de água, não seriamos irresponsáveis de manter as operações", disse. "Não existe condição de derrapagem nesta pista, posso afirmar aos senhores", acrescentou. |
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| INFRAERO: DERRAPAGEM NÃO FOI CAUSA DE ACIDENTE |
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Bologna foi assertivo também quando perguntado sobre a segurança do aeroporto mais movimentado do país: "sim, Congonhas é um aeroporto seguro", disse, destacando a diminuição da freqüência das operações no local, que já foi quase duas vezes maior que a atual. No entanto, apesar de dizer que o pouso foi feito em concordância com as condições apresentadas - e repetido mais de duas mil vezes pela empresa desde a inauguração da nova pista - ele evitou uma posição definida sobre a participação da pista molhada no acidente, preferindo esperar as investigações. O presidente da TAM também declarou que qualquer restrição ao aeroporto proposta pelas autoridades será acatada pela empresa.
Para ele, o fato de a pista reformada ter sido entregue sem o grooving - ranhuras que aumentam a aderência do piso - não é necessariamente relevante, já que os cálculos das operações são feitos levando em conta esse fator. "Quando um aeroporto que não tem grooving está aberto, pressupõe-se que a lâmina de água esteja menor que três milímetros", disse. A medição da água, no entanto, não é feita pela empresa, e sim pela Infraero. Além do mais, existe um intervalo entre a comunicação da medida e uma possível variação causada pela mudança de intensidade da chuva - embora o vice-presidente de operações da TAM, Alberto Fajerman, negue que tenha havido essa variação. "O grooving faz diferença, mas para aumentar o peso", diz Fajerman.
Crise aéreaSobre a crise aérea nacional, Bologna evitou qualquer declaração definitiva. Ele diz que é parte de uma questão mais ampla, que envolve o crescimento econômico e alguns problemas de infra-estrutura, e que já estão sendo tratadas pelas duas CPIs existentes. O vice-presidente de planejamento da TAM, Paulo C. Branco, defendeu a abertura de um terceiro aeroporto em São Paulo em um prazo de cinco anos, além da ampliação do aeroporto de Viracopos e Cumbica como forma de desafogar as operações.