29/10/2007 - 17h34
Após derrota nas eleições argentinas, Carrió será líder da oposição

BUENOS AIRES, 29 Out 2007 (AFP) - A liberal-cristã argentina Elisa Carrió assumiu nesta segunda-feira que irá liderar as forças de oposição do país com o apoio da classe média dos centros urbanos, onde obteve seu melhor desempenho eleitoral, após ter sido derrotada no domingo pela candidata governista, a peronista social-democrata Cristina Kirchner.
"Somos a principal força opositora, que será uma alternativa de governo para 2011", disse Carrió, de 50 anos, nesta segunda-feira. A candidata da Coalizão Cívica, aliança formada entre socialistas e liberais, conseguiu 22,9% dos votos nas eleições presidenciais, contra 44,8% dados a Cristina.
Carrió confirmou que irá liderar a oposição, convencida de que será "uma líder muito mais perigosa e livre sem disputar cargos eletivos".
"Não irei mais competir pela presidência da Nação", afirmou. Esta foi a segunda vez que Carrió se candidatou à presidência do país - a primeira foi em 2003.
Nas eleições de 2003, que terminaram com a vitória de Néstor Kirchner, Carrió construiu uma boa imagem junto à opinião pública, mas terminou em quinto lugar com 14,0%, atrás de três candidatos peronistas e um neoliberal.
Nas eleições de domingo, por outro lado, a mulher que se lançou como paladina da ética e do combate à corrupção recebeu 4 milhões de votos, a maioria da classe média dos grandes centros urbanos.
Assim, a Capital Federal, com 2,5 milhões de eleitores, foi o único distrito onde Carrió recebeu mais votos (37,6%) que Cristina Kirchner (23,6%).
Carrió se impôs também em cidades como Rosario (312 km ao norte) e Mar del Plata (400 km ao sul), sem, no entanto, atrapalhar a esmagadora vitória da primeira-dama na província de Buenos Aires, maior distrito eleitoral do país, com 40% dos cerca de 27 milhões de eleitores registrados.
O mesmo eleitorado portenho foi responsável pelo segundo turno na votação para a Prefeitura de Buenos Aires, em junho deste ano, dando as costas para o governo federal e dando 60% dos votos ao direitista Mauricio Macri (PRO), de 48 anos.
Macri parecia destinado a se tornar o novo líder de uma oposição sem rumo, mas não foi capaz de projetar o impulso de sua candidatura portenha no pleito nacional, no qual apoiou Ricardo López Murphy, seu aliado, que ficou em sétimo lugar com apenas 1,4% dos votos, muito abaixo dos 16,3% obtidos em 2003.
"Vou continuar pedindo à cidade que seja parte de um país, e deixe de votar e pensar como uma ilha", ironizou nesta segunda-feira o chefe de gabinete, Alberto Fernández, referindo-se a um eleitorado que tradicionalmente torce o nariz para o peronismo.
Forjada no seio da social-democrata União Cívica Radical (UCR), Carrió abandonou o tradicional partido para fundar sua própria força em 2001, a Afirmação para uma República Igualitária (ARI), da qual se afastou neste ano para integrar a Coalizão Cívica.
"A Coalizão Cívica nasceu em março deste ano, em uma tentativa e com a idéia de pluralidade, democracia, de construir uma força política moderna e livre, com homens e mulheres de diferentes identidades e um programa comum", afirmou.
Com essa força conseguiu também ofuscar a candidatura do ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, um peronista dissidente que ficou em terceiro lugar com 16,8% dos votos pela UCR.
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