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29/10/2007 - 05h11

Cristina: de militante estudantil a presidente eleita da Argentina

Roger Modkovski
Enviado especial do UOL
Em Buenos Aires (Argentina)*
A senadora pela Província de Buenos Aires e agora presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, 54, é conhecida por ter trilhado uma carreira política independente em relação à do marido, Néstor Kirchner, mas sempre com muitas afinidades.

Durante quase duas décadas, até as eleições de 2003, ela, por conta de sua atuação parlamentar, foi mais conhecida nacionalmente que o marido, que era governador da modesta Província de Santa Cruz, na Patagônia, extremo sul do país.

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Curiosamente, a presidente eleita usava o nome Cristina Fernández durante boa parte de sua carreira parlamentar. Com a subida do marido à presidência, passou a preferir Cristina Kirchner.

Além do nome, outra coisa mudou nesse período. Conhecida pelo contato estreito com jornalistas no início da carreira, Cristina foi mudando ao longo do tempo. Durante esta campanha, só deu entrevistas quando era conveniente.

"Eles sempre foram um projeto político, um monstro de duas cabeças permanentemente caminhando juntos, como se em 2003 tivessem assumido a Presidência e assumido que os dois iam governar o país", disse o analista político Jose Angel di Mauro.

Apesar de seu slogan de campanha dizer que "Cristina é a mudança que acaba de começar", ela promete manter o modelo econômico implantado pelo marido nos últimos cinco anos. Também avisou que manterá estreita relação com os presidentes do Brasil e da Venezuela, Hugo Chávez, com quem trocou elogios durante a campanha

Ela receberá a faixa presidencial do marido no dia 10 de dezembro.

Perseguidos pela ditadura

Cristina nasceu em 19 de fevereiro de 1953 em La Plata. Conheceu Néstor no curso de direito da Universidad Nacional de La Plata, época em que chegou a passar um mês na prisão sob o governo de Isabelita Perón (1974-76).

Eles casaram-se em 1975. O casal tem dois filhos, Máximo e Florencia.

Perseguidos pela ditadura militar (1976-83) por sua militância estudantil, eles fugiram para Río Gallegos, onde abriram um escritório jurídico e a partir de onde desenvolveram sua carreira política.

Amigos do casal Kirchner foram seqüestrados pelo regime militar, o que fez com que Néstor, ao assumir em 2003, lançasse ofensiva para punir os responsáveis pela repressão militar, que em muitos casos estavam livres graças a leis de anistia.

Parlamentar

Ela começou a carreira política em 1985, em um país já redemocratizado, como deputada provincial pelo Partido Justicialista (peronista). Em 1994, foi deputada constituinte na revisão da Carta argentina. Em 1995, chegou ao Senado pela Província de Santa Cruz.

Em 2005, eleita já pela Província de Buenos Aires. Cristina é presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais do Senado desde 2001.

Nos anos 90, Cristina e Néstor romperam com o então presidente Carlos Menem -que recentemente disse que Kirchner é "o anticristo do peronismo". Hoje, na confusão partidária que é a política argentina, Cristina tem na chapa um vice-presidente que já pertenceu à União Cívica Radical (em tese rival do peronismo), Julio Cobos.

Entre os colegas do Senado, Cristina é conhecida como "Huracán (Furação), pela personalidade política, ou como "Miss Congresso", pela beleza e elegância.

Ela é famosa pela preocupação quase obsessiva com a vaidade e admite que desde muito jovem sempre usou maquilagem, mas nega que tenha feito cirurgias. "Não fiz cirurgias, não tenho cicatrizes", garante.

A senadora teve um papel importante na campanha do marido à presidência, em 2003, e tem sido uma primeira-dama (ou "primeira-cidadã", como ela prefere) que vai muito além do papel tradicional. Um fato marcante no período foi a sua presença ao lado de lideranças internacionais.

Admiradora "incondicional" da senadora norte-americana Hillary Clinton, Cristina chegou a declarar que faria campanha pela colega, que postula a candidatura democrata nas próximas eleições presidenciais norte-americanas.

Além de Hillary, Cristina também se identifica com a ex-primeira-dama argentina Evita Perón, um mito e segundo principal ícone do peronismo, movimento político a que teoricamente pertence a presidente eleita. Cristina diz se identificar com Evita no que diz respeito à "identificação com os pobres".

Mas, em entrevista a TV local na última sexta-feira, ela fez questão de frisar: "Nem Hillary, nem Evita... apenas eu."

Em outra entrevista, Cristina revelou mais "intimidades". Disse que deixou de fumar em 1998 e que chegou a consumir quatro carteiras de cigarro por dia, começando antes mesmo do café da manha. Cristina disse também nunca ter fumado maconha.

*Com agências internacionais
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