30/10/2007 - 01h39
Cristina sonha com implantação da "marca Argentina" no mundo

Buenos Aires, 29 out (EFE).- A presidente eleita da Argentina,
Cristina Fernández, disse nesta segunda-feira que pretende "impor a
marca" de seu país no mundo e afirmou que seu Governo dará
prioridade a combater a pobreza e o desemprego, além de melhorar a
educação e a saúde.
Numa entrevista ao canal "Todo Noticias", a primeira desde
domingo, quando venceu as eleições presidenciais, Fernández destacou
que a vitória representa em grande medida um "reconhecimento" da boa
gestão de seu marido, o atual presidente, Néstor Kirchner.
"Eu me sinto parte desta gestão, mas ele foi o comandante deste
projeto político, com a sua marca, seus acertos e seus erros",
destacou a primeira-dama.
Dizendo que ainda não se acostumou a ser chamada de presidente,
ela adiantou que os principais eixos de sua administração, que
começará no dia 10 de dezembro, serão aprofundar a luta contra a
pobreza e o desemprego, assim como melhorar a saúde e a educação.
"Sonho também com a implantação da 'marca Argentina' no mundo, de
forma que nossos empresários possam levar seus produtos ao exterior
cada vez mais e melhor, porque esta é a única maneira de nos
tornarmos conhecidos", opinou.
Ela disse que é "fundamental aumentar os vínculos com o mundo" e
expressou seu desejo de que a Argentina consolide seu perfil
exportador.
"Eu gostaria que nosso país fosse um grande exportador, como a
Alemanha, com altíssimo grau de tecnologia. Acho que podemos fazer
grandes coisas em agroalimentação e informática", comentou.
Sobre a inflação, um dos assuntos quentes da campanha eleitoral,
Fernández ressaltou que houve o problema foi superestimado. E pediu
que a população não entre na "cadeia de histeria nacional".
"A inflação (5,9% nos primeiros nove meses de 2007, segundo dados
oficiais) está dentro das pautas do orçamento", apontou. O Governo
estabeleceu para todo o ano um índice de 7% a 11%.
O Governo Kirchner, acrescentou, enviou uma missão de técnicos
aos Estados Unidos para estudar o método utilizado para medir a
inflação americana, num momento em que a Justiça investiga denúncias
de suposta manipulação do indicador.
Em outro trecho da entrevista, Cristina Fernández disse que não
concebe a luta contra a insegurança sem um plano diretamente
relacionado "com um modelo econômico que permita que mais gente
tenha trabalho".
"Mas também deve estar vinculado à educação, saúde e luta contra
as drogas", apontou.
A presidente eleita lamentou não ter sido procurada por nenhum
dos candidatos derrotados. "O diálogo e a aproximação deve partir de
ambas as partes, não só do Governo. O tango se dança a dois",
comparou. Mas negou que a "contundente vitória" nas eleições dê a
ela um lugar privilegiado.
"Alguns políticos acham que as vitórias podem ser exibidas
troféus. Eu não penso assim. Além disso, detesto as pessoas que se
enchem de importância", explicou.
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