
No dia 19 de abril de 2005, ao menos 84 de 115 cardeais eleitores escolheram o alemão Joseph Ratzinger como sucessor do papa João Paulo 2º, morto 17 dias antes. A escolha foi a segunda mais rápida da história recente da Igreja Católica. O conclave que elegeu Ratzinger teve apenas quatro votações, mesmo número necessário para a escolha de João Paulo 1º, em 1978. Desde o início do século 20, apenas a eleição de Pio 12, em 1939, foi mais rápida: demandou os mesmos dois dias, mas ocorreu após três votações.
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Nascido em 16 de abril de 1927, na localidade de Marktl am Inn, o cardeal alemão tinha 78 anos quando foi eleito papa. Não era o favorito absoluto, mas sempre figurou na lista de mais prováveis nomes na linha sucessória do trono papal.
A seu favor, contavam o fato de ser apoiador direto de João Paulo 2º e a posição de decano do colégio de cardeais, figura central na transição entre papas, condição que dividiu com o italiano Angelo Sodano na fase de declínio da saúde do papa polonês.
Pesavam contra a escolha de Ratzinger sua posição pessoal, muitas vezes radical, de defensor da doutrina católica "conservadora reformadora" - contrária aos temas homossexualismo, aborto e eutanásia -, bem como a função exercida desde 1981 de chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício Inquisitório, popularmente conhecido como Inquisição.
Além disso, Ratzinger tinha idade avançada (acabaria sendo o papa mais velho escolhido em quase três séculos) e histórico de problemas de saúde (sofreu dois derrames, o primeiro em 1991 e o segundo só revelado em 2005, além de fazer uso de medicação para controle cardíaco).
Ainda assim, venceu com ampla maioria. Além dos 84 votos apontados por algumas fontes, outras informavam que Ratzinger teria obtido margem ainda maior, entre 95 e 107. Embora as estatísticas não sejam divulgadas oficialmente, alguns relatos dão conta de que Ratzinger não foi o cardeal mais votado no primeiro pleito, na tarde do dia 18 de abril.
Papa da era digital| A ESCOLHA DO NOME | |
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Ratzinger contou que, durante o conclave, sentia como se uma guilhotina estivesse próxima de seu pescoço a cada votação. Isso o levou a pedir a Deus: "Por favor, não faça isso comigo. O Senhor tem candidatos mais jovens e cheios de energia do que eu". De todo modo, o próprio Ratzinger admitiu, ao comentar o episódio, que não "poderia ter feito outra coisa a não ser responder 'sim'" ao ser eleito.
Para alguns periódicos italianos, a última votação, ocorrida na tarde do dia 19, teria sido feita a pedido de Ratzinger, apenas para confirmar a escolha do escrutínio anterior. O relato atribuído a alguns dos cardeais eleitores apontava que o alemão possuía qualidades tão impressionantes e um desempenho tão admirável após a morte de João Paulo 2º que não houve contestação.
Com a confirmação da eleição, afirmaria à época o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, houve um brinde com champanhe, mas o novo papa bebeu apenas "um golinho, já que é abstêmio".
Bastidores
De acordo com o periódico italiano "Corriere della Sera", fontes do Vaticano como o cardeal holandês Adrianus Simonis contaram, em tom de brincadeira, que no momento em que os cardeais quiseram enviar ao mundo a tradicional "fumata", indicativo do término da eleição do novo papa, houve uma confusão com os produtos utilizados na chaminé para determinar a cor branca da fumaça. O cardeal brasileiro, dom Cláudio Hummes, foi outro a confirmar o ocorrido.
Assim, às 17h50 (12h50 em Brasília) do dia 19 de abril de 2005, a chaminé da capela Sistina, no Vaticano, emitiu uma fumaça de cor mista, entre cinza e branco, informando da definição do substituto de João Paulo 2º, morto 17 dias antes. Pouco depois, o ressoar dos seis sinos da basílica de São Pedro - novidade introduzida para esta eleição - foi utilizado para marcar o momento do "Habemus papam", pronunciado pelo cardeal chileno Jorge Arturo Medina Estévez.
Joseph Ratzinger foi apresentado aos fiéis que aguardavam na praça de São Pedro, aos líderes mundiais presentes, bem como a outros milhões de pessoas que acompanhavam a escolha pela televisão, como Bento 16, o primeiro papa alemão em cerca de 500 anos (desde o papado de Adriano 6º, entre 1522 e 1523), o 265º papa, considerando tal atribuição como tendo sido iniciada por São Pedro, o sumo pontífice da Igreja e dos cerca de 1 bilhão de fiéis em todo o mundo.

A visita do representante de Jesus Cristo ao nosso país não poderia ter vindo em melhor hora. Felizmente ele trouxe para nós brasileiros cinco dias de inúmeras bênçãos, das quais estamos muito necessitados. Já fazia algum tempo que nos noticiários não se escutavam mais notícias boas, somente morte e violência...Nós brasileiros temos que a cada dia mais termos orgulho de ter nascido nessa pátria tão querida, ainda mais agora que com essa tão ilustre visita que nos agraciou com um santo originalmente brasileiro....Que Santo Antonio de Sant'Anna Galvão rogue por nós!!!!Marco Antonio Vieira - Ponta Porã/MS
Foto enviada por
Juan Martinez