Bento 16 deixou o Brasil neste domingo, após uma visita que durou cinco dias. O papa seguiu para Roma em um vôo da Alitalia, que partiu do aeroporto de Cumbica às 20h55, com quarenta minutos de atraso em relação ao horário previsto, depois de uma breve cerimônia realizada no próprio hangar da Base Aérea. Pouco antes do embarque, o pontífice fez um
breve discurso de despedida, em que afirmou ter passado "horas intensas e inesquecíveis" no país.
"Na minha memória ficarão para sempre gravadas as manifestações de entusiasmo e de profunda piedade deste povo generoso da Terra da Santa Cruz que, junto à multidão de peregrinos provindos deste continente da esperança, soube dar uma pujante demonstração de fé em Cristo e de amor pelo sucessor de Pedro", disse. "Peço a Deus que ajude os responsáveis, seja no âmbito religioso, que no civil a imprimir um passo decidido àquelas iniciativas, que todos esperam, pelo bem comum da grande família latino-americana."
Esta foi a única fala oficial de Bento 16 no país em que ele não abordou assuntos polêmicos - como aborto e eutanásia, comentados já no discurso de chegada, feito no mesmo hangar, ou ideologias políticas e sociais, criticadas mais cedo neste domingo.
Na cerimônia, discursou também o vice-presidente do Brasil, José Alencar, que declarou que o governo brasileiro compartilha com a Igreja "a percepção de que existe um vazio de esperança no campo da globalização", além de pedir que a felicidade do país seja incluída nas orações do papa.
À tarde, em seu último compromisso oficial em solo brasileiro, Bento 16 falou na abertura da 5ª Celam (Conferência Episcopal da América Latina e Caribe)
criticando capitalismo, comunismo, globalização e governos autoritários. Antes, celebrou uma missa campal em Aparecida que reuniu cerca de 150 mil fiéis.