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29/05/2007 - 10h59
Corretor de imóveis, Macula ainda sonha com futebol

Guilherme Toscano, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - A vida de Marco Aurélio dos Santos tomou um rumo totalmente diferente do mundo do futebol. Aos 39 anos, o ex-meio-campista Macula trabalha como corretor de uma imobiliária em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No entanto, o maior sonho dele não é fazer sucesso no mercado de imóveis. Em vez disso, ele projeta para o ano que vem um retorno aos gramados. E aposta nos contatos feitos quando era jogador para encurtar esse caminho.

"Quero trabalhar com futebol a partir de 2008. Ainda não tenho certeza da função, mas tenho amigos em vários clubes pelos quais passei, como o Edson Souza, que reencontrei jogando showbol [competição de futebol society entre ex-jogadores das principais equipes de Rio de Janeiro e São Paulo]. Acho mais fácil eu conseguir trabalhar em um dos meus ex-times, como o Fluminense, por exemplo", afirmou, esperançoso, o ex-jogador.

Aliás, o fato de ter reativado antigos contatos não foi o único motivo para Macula ter aprovado a disputa do campeonato de showbol. O jogador, que defendeu o Fluminense apesar de ser torcedor do Bangu, também gostou do ritmo das partidas. Ele atuou pela equipe tricolor por conta de um convite do amigo e ex-companheiro Alexandre Torres.

"É um jogo bem interessante. Gostei especialmente porque pude reencontrar antigos companheiros, gente que jogou comigo e até alguns que estavam do outro lado, mas com quem desenvolvi uma boa amizade", disse Macula.

Apesar de ter feito quase toda a sua carreira no Bangu, o ex-jogador afirmou que a melhor fase que já teve como jogador foi no Palmeiras, em 1993 e 1994, porque se tratava de um grande time e conquistou duas edições do Campeonato Paulista, duas do Brasileiro e uma do Rio-São Paulo.

"O time era praticamente uma seleção. Joguei ao lado de jogadores como Edmundo, Djalminha e Zinho. Era uma grande equipe. Sem dúvida foi o melhor time em que joguei e a melhor fase da minha carreira, meu maior sucesso como profissional", garantiu Macula.

Antes desses tempos nos gramados, a especialidade do ex-meia era pegar bolas fora do campo quando elas fossem atiradas para fora. É isso mesmo: Macula foi gandula do Bangu entre 1982 e 1986. Ele confessou que retardava o reinício de partidas em que o time de Moça Bonita estivesse à frente no placar. De tanta malandragem que utilizava fora dos gramados, Macula foi proibido de atuar como gandula no Maracanã.

"Éramos treinados para fazer cera se o Bangu estivesse vencendo. A gente escondia a bola em um buraco do lado do campo e até simulava lesões para retardar o jogo. Às vezes, eu colocava a bola em um lugar onde a grama era bem alta. Nenhum árbitro conseguia achá-la", disse, bem-humorado, o ex-jogador.

Depois dos tempos de gandula, Macula tornou-se profissional de futebol no Bangu. No início de sua carreira, ainda enfrentava dificuldades, mas podia jogar ao lado de ídolos do clube como Marinho e Cláudio Adão. O ex-atleta comentou essa experiência no começo de sua vida como jogador:

"Perdi a conta de quantas vezes os dois me deram trocados para que eu lavasse seus carros. Quando eu comecei a treinar nos juvenis do Bangu, pedi para morar e comer na concentração do clube, porque minha situação em casa era muito complicada. Faltava quase tudo para nós".

Disposto a retornar ao mundo do futebol, Macula vislumbra uma realidade muito mais tranqüila do que a que enfrentou no início da carreira como atleta. No entanto, o sonho do ex-meia de voltar a trabalhar com o esporte esbarra na falta de oportunidades e na ausência de uma direção clara - ele ainda não definiu se pretende ser técnico, auxiliar, preparador físico ou até dirigente.

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