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11/11/2004 - 14h24

Líderes mundiais lamentam morte de Arafat

Da Redação

Com agências internacionais
Personalidades de várias partes do mundo lamentaram nesta quinta-feira (11) a morte do líder palestino Iasser Arafat. Organizações religiosas, suprapartidárias, políticos de diversas tendências elogiaram a atuação do ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota, por meio do Itamaraty.

"O governo brasileiro expressa suas mais sinceras condolências pelo desaparecimento do presidente Iasser Arafat, líder histórico da luta do povo palestino por sua autodeterminação e sua independência. Neste momento de dor e tristeza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva associa-se ao pesar do povo palestino.

Certo de que as lideranças palestinas saberão manter vivos os ideais de seu incansável representante, o governo brasileiro reafirma o apoio à criação de um Estado palestino livre e soberano e à construção de um futuro de paz e prosperidade para o Oriente Médio."

O representante oficial do governo brasileiro no funeral de Arafat será o ministro José Dirceu (Casa Civil). Lula não comparecerá ao funeral em razão de compromissos já agendados com o presidente da China, Hu Jintao, que chegou nesta quinta ao Brasil.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, informou, por meio de seu porta-voz, que ficou "profundamente comovido" ao saber da morte de Arafat. "O presidente Arafat era um dos poucos líderes que poderia ser reconhecido instantaneamente em qualquer lugar do mundo. Por cerca de quatro décadas, ele expressou e simbolizou em sua pessoa as aspirações do povo palestino. Ele será sempre lembrado por ter, em 1988, liderado os palestinos a aceitarem a coexistência pacífica entre o Estado de Israel e o futuro Estado palestino", disse.

O papa João Paulo 2º pediu em suas orações "a paz na Terra Santa, com dois Estados independentes e soberanos, plenamente reconciliados entre eles." "O papa João Paulo 2º se une à dor do povo palestino após a morte de seu presidente, Iasser Arafat, e rezou por ele", afirmou o porta voz do papa, Joaquin Navarro Valls.

Chefes de Estado também declaram o pesar pela morte de Arafat.O presidente dos Estados Unidos,George Walker Bush, falou que a "a morte de Iasser Arafat é um momento significativo para a história dos palestinos".

Ele pediu que o mundo ajude os palestinos na constituição de "um Estado democrático" em paz com Israel. "Nós expressamos nossas condolências ao povo palestino. Esperamos que o futuro traga paz e o preenchimento das aspirações para um Estado palestino independente e democrático, que esteja em paz com seus vizinhos."

Israel

No entanto, nem todos lamentaram a morte de Arafat. Arquiinimigo dos palestinos, o ministro da Justiça de Israel, Tommy Lapid, diz que sente "ódio profundo" por Arafat. Ele se recusou a expressar condolências ao povo palestino pela morte de Iasser Arafat. O ministro disse que sente "um ódio profundo por Arafat, que não é pessoal, pois ele causou a morte de milhares de israelenses e impediu um acordo de paz". Segundo o ministro israelense, "Arafat foi o principal estrategista do terrorismo internacional e a Al-Qaeda se baseia no caminho de Arafat".

Já o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, foi contido e não citou o nome de Arafat. Ele disse esperar "que a nova direção palestina compreenda que os avanços nas relações com Israel e as soluções dos problemas passam, antes de mais nada, por uma guerra contra o terrorismo". O primeiro-ministro israelense afirmou que a morte de Arafat é uma mudança histórica para o Oriente Médio. "Israel é um país que procura pela paz e vai continuar seus esforços para promovê-la junto aos palestinos sem [que a morte de Arafat crie] atrasos no processo." O premiê se negou a chamar Arafat pelo nome e disse esperar que os palestinos trabalhem para "parar o terrorismo", condição descrita por ele como essencial para o avanço nas negociações de paz.

O presidente israelense, Moshé Katzav, também comentou a morte do palestino. Ele manifestou a esperança de que a morte de Arafat permita o surgimento de uma nova direção palestina, abrindo um "novo capítulo" nas relações com Israel. "A morte de Iasser Arafat pode constituir o início de um novo capítulo", afirmou o presidente em um comunicado. "Espero que a nova direção palestina inicie um novo caminho, na perspectiva de acabar com o terrorismo e a violência, o que permitirá o reinício das negociações", acrescentou o presidente.

Shimon Peres, líder do Partido Trabalhista israelense, disse que "não quer ferir os sentimentos dos palestinos", mas também evitou expressar condolências pela morte do líder palestino. Peres, que junto com Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin recebeu o prêmio Nobel da Paz, declarou que o líder palestino cometeu erros, mas também acertos. "Quando recorreu ao terrorismo, Arafat errou, mas quando tomou o caminho do diálogo. Arafat teve êxitos", afirmou Peres. De acordo com o líder trabalhista, Arafat quis ser popular e, por isso, não lutou contra o terrorismo e esse foi o seu principal erro.

"Porém, não podemos esquecer que Arafat fez uma concessão que nenhum outro líder palestino poderia ter feito, pois nos acordos de Oslo reconheceu a solução de dois Estados, o palestino ao lado do israelense", acrescentou Peres. "Nos últimos anos, Arafat perdeu a sua credibilidade pois oscilou entre os dois pólos, o pólo do terrorismo e o pólo do diálogo político", concluiu.

Europa

Chefes de Estado da Europa também lamentaram a perda do líder dos palestinos. O primeiro-ministro britânico,Tony Blair, disse que a "coisa mais importante é ter certeza que nós vamos prosseguir com o processo de paz, porque há miséria para os palestinos, e há miséria para os israelenses, que sofrem com a atividade terrorista." Blair também afirmou que "ele [Arafat] ganhou o Nobel da paz em 1994 junto a Yitzhak Rabin [premiê israelense assasinado por um militante judeu de extrema direita, em 1995] pelo reconhecimento de seus esforços para chegar à paz no Oriente Médio. Ele liderou seu povo para aceitar a necessidade da convivência entre duas nações."

Já o presidente da França, Jacques Chirac, que visitou Arafat na semana passada no hospital militar Percy, em Clamart, perto de Paris, disse que "era com emoção" que tomava conhecimento da morte de Arafat. O presidente afirmou que "a França e parceiros da União Européia vão manter, de modo firme e convicto, o compromisso para com os dois Estados [referindo-se a um possível Estado palestino e Israel], vivendo lado a lado, com paz e segurança. O mapa internacional de paz [elaborado pelo Quarteto EUA, Rússia, União Européia e ONU, e que prevê a criação de um Estado palestino até 2005] aprovado por Arafat dá abertura a isso."

Líderes e personalidades

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, disse que a história deve registrar que Arafat trouxe a esperança para milhões de pessoas oprimidas e desprezadas "incitando nelas o conhecimento e a consciência de que, apesar das dificuldades, eles têm em suas mãos a liberdade."

Na Austrália, o primeiro-ministro John Howard disse que "a história vai julgar [Arafat] duramente por não ter agarrado a oportunidade oferecida corajosamente no ano 2000 pelo [então] primeiro-ministro Ehud Barak, que fez com que israelenses concordassem com cerca 90% das exigências palestinas."

O presidente da China, Hu Jintao, afirmou em nota que o povo chinês perdeu um "grande amigo". "Arafat foi um líder brilhante dos palestinos. Ele devotou sua vida para defender os interesses e direitos éticos e legais dos palestinos", disse.

Os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, reunidos em Roma nesta quinta-feira, fizeram um minuto de silêncio em memória de Iasser Arafat, entre eles, o Nobel da Paz, entre eles Rigoberta Menchú [que ganhou em 1992], Adolfo Péres Esquivel [premiado em 1980] e José Ramos-Horta [ganhador em 1996]. Em 1994, Arafat foi premiado em 1994 com o Nobel da Paz, ao lado do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin [morto em 1995] e de Shimon Peres, [na época era chanceler israelense].

Ex-presidentes

Ex-presidentes também comentaram a morte de Iasser Arafat. O ex-presidente americano Bill Clinton (1993-2000) apresentou suas condolências pela morte do líder palestino Iasser Arafat e destacou a assinatura dos acordos de Oslo, em 1993, como o melhor momento dele. "Ofereço minhas condolências à família de Iasser Arafat, a seus parceiros na Organização para a Libertação da Palestina e ao povo palestino, que chora a morte de um homem que simbolizou suas esperanças e aspirações por tanto tempo."

O ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov (1985-1991) comentou a morte do líder palestino. Para ele, "apesar de alguns terem tentado transformá-lo em terrorista, na verdade [Arafat] foi um homem de idéias." "Esperamos que alguns não usem a morte de Arafat para fazer com que povo palestino aceite algo inaceitável", afirmou.


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