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 Internacional

03/01/2005 - 19h28
Criminosos se aproveitam de vítimas de tsunami em todo o mundo

Por Patrick Lannin e Stephen Brown

ESTOCOLMO (Reuters) - Ladrões, estupradores, sequestradores e espalhadores de boatos estão se aproveitando dos sobreviventes e dos parentes das vítimas do tsunami nos campos de refugiados na Ásia, nos hospitais e até nos países europeus que tiveram turistas mortos em conseqüência das ondas gigantes.

Alertas sobre criminosos vieram do Reino Unido, da Suécia, do Sri Lanka, da Tailândia e de Hong Kong na segunda-feira. As informações dão conta desde estupros de sobreviventes no Sri Lanka a saques às casas dos turistas europeus desaparecidos.

Num contraste chocante com a manifestação de solidariedade mundial que se seguiu ao tsunami de 26 de dezembro, cujo balanço total de mortos estava em quase 145 mil na segunda-feira, um grupo de defesa das mulheres do Sri Lanka denunciou que estupradores estão atacando sobreviventes desabrigadas.

"Recebemos registros de incidentes de estupro, estupro grupal, abuso e molestação de mulheres e garotas durante as operações de resgate e nos abrigos temporários", informou o grupo Woman and Media Collective.

A entidade Save the Children advertiu que crianças e jovens que ficaram órfãos com o tsunami estão vulneráveis à exploração sexual. "A experiência de catástrofes anteriores é que as crianças estão especialmente expostas", disse a chefe sueca da organização, Charlotte Petri Gornitzka.

Na Tailândia, ladrões disfarçados de policiais e funcionários de resgate saquearam bagagens e cofres de hotéis na área da praia de Khao Lak, onde o tsunami matou até 3.000 pessoas.

A Suécia enviou sete policiais para lá na segunda-feira para investigar o possível sequestro de um garoto de 12 anos, cujos pais foram levados pelo mar.

A ONU (Organização das Nações Unidas) também alertou para o perigo de piratas que atrapalham o trabalho de assistência na costa oeste da ilha de Sumatra, na Indonésia.

A Suécia foi o país mais atingido fora da região banhada pelo Índico. Há 52 mortos confirmados e 2.500 desaparecidos. Mas os nomes são mantidos em segredo, depois que algumas casas foram alvo de roubos.

"Infelizmente é verdade que as pessoas dadas como desaparecidas ... tiveram suas casas invadidas e parcialmente esvaziadas", disse o secretário de Estado, Lars Danielsson, à rádio local.

A polícia sueca não deu detalhes, mas disse que incidentes semelhantes aconteceram depois do naufrágio do Estônia, em 1994, que matou 551 suecos.

Na vizinha Noruega, a polícia estava em alerta para a tentativa de criminosos de colocar seus nomes na lista de vítimas, para conseguir uma nova identidade ou fraudar seguros. Fraudes parecidas aconteceram depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

No Reino Unido, que tem pelo menos 40 vítimas, um homem admitiu ter mandano e-mails falsos para amigos e parentes de desaparecidos, confirmando sua morte.

Em Hong Kong, que está registrando polpudas doações para as vítimas, a entidade Oxfam alertou para um email falso que pede depósitos para uma conta corrente no Chipre.

(Reportagem adicional de Alister Doyle em Oslo, David Fox em Colombo e do escritório de Hong Kong)

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