Por Fabio Murakawa e Reese Ewing
SÃO PAULO (Reuters) - Uma série de ataques a alvos policiais atribuídos à facção criminosa PCC entre a noite de sexta-feira e a manhã deste sábado deixou pelo menos 30 mortos no Estado de São Paulo, a maioria policiais, informou a Secretaria da Segurança Pública.
Foram ao todo 55 ações contra alvos policiais até as 13h deste sábado, segundo o secretário Saulo de Castro Abreu Filho. Dentre os mortos, disse ele, 11 são policiais militares, 5 policiais civis, 3 guardas civis, 4 agentes penitenciários em folga, 5 criminosos e 2 civis, sendo um deles a namorada de um policial.
Ao mesmo tempo, presos iniciaram rebeliões na capital e no interior do Estado que já tomaram 22 presídios e CDPs (Centros de Detenção Provisória).
As quase 12 horas de ataques seriam uma resposta do PCC (Primeiro Comando da Capital) à transferência de 765 integrantes do grupo para a recém-reformada penitenciária de Presidente Venceslau, no interior do Estado, na sexta-feira.
Alguns líderes da facção ("quatro ou cinco", segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária) foram transferidos na sexta-feira para a sede do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), em São Paulo.
As transferências teriam como objetivo desarticular a atuação do grupo dentro das penitenciárias.
"Esse ataque é uma fórmula de tentar demonstrar força e principalmente mexer com a sensação de segurança da população", disse o secretário a jornalistas neste sábado. "É o binômio: 'se até a polícia é atacada, imagine eu'."
O secretário Abreu Filho disse ainda que 16 pessoas foram presas e que havia alguns feridos entre os bandidos. A secretaria disse anteriormente que o número total de feridos nas ações chegava a 32.
REBELIÕES NO INTERIOR
As rebeliões na capital e no interior de São Paulo, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, também estariam sendo coordenadas pelo PCC.
"Evidentemente em uma ação de resposta deles (criminosos), estão ocorrendo essas rebeliões", disse o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa.
Rebelados desde a tarde de sexta-feira, presos mantinham 12 reféns na penitenciária de Iaras e outros 13 em Avaré, interior de São Paulo, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária. Em Avaré, um policial militar foi ferido com um tiro na perna. Não há outras notícias sobre feridos.
Também há registro de motins em outras 20 penitenciárias, todos eles iniciados na manhã deste sábado. Ainda não havia informações sobre o número de reféns e de feridos, segundo a secretaria.
As rebeliões ocorreram também como resposta à transferência dos detentos para Presidente Venceslau, segundo o secretário Furukawa. A Secretaria da Administração Penitenciária disse, no entanto, que os detentos não fizeram nenhuma reivindicação.
Em fevereiro de 2001, 29 presídios e centros de detenção registraram rebeliões simultâneas no Estado de São Paulo, movimento que deixou 19 mortos.