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01/08/2006 - 20h01

Em mensagem escrita à nação, Fidel Castro diz que seu quadro é 'estável'

da Redação

AFP - 20.07.2006

Operado de urgência, Fidel Castro passa o poder a seu irmão Raúl

Operado de urgência, Fidel Castro passa o poder a seu irmão Raúl

O líder cubano, Fidel Castro, afirmou nesta terça-feira que se encontra em uma situação "estável" em mensagem lida na televisão cubana.

"A situação é estável, mas a evolução real do estado de saúde necessita de tempo", acrescentou o comunicado atribuído ao líder da Revolução Cubana, lido na emissora estatal.

Antes disso, o presidente da Assembléia Nacional cubana, Ricardo Alarcón, havia dito que Fidel estava "longe do final dos seus dias".

Castro, que completará 80 anos no dia 13 de agosto, transferiu temporariamente o poder a seu irmão Raúl Castro, na noite de segunda-feira, depois de ter sido submetido a uma cirurgia intestinal.

Alarcón, um dos homens mais próximos a Castro, disse à agência estatal de notícias cubana Prensa Latina que o presidente não está morrendo.

"O líder cubano lutará sempre até o último instante. Mas esse último instante está bem longe", disse.

Alarcón, membro do Conselho de Estado e do Bureau Político do governante do Partido Comunista, é o principal assessor de Castro na política com os Estados Unidos.

"(Ele) continua sendo o Fidel Castro de sempre e tem a absoluta confiança de todos os cubanos", completou o assessor.

Esta é a primeira vez desde o triunfo da revolução em 1959 que Castro transfere a Raúl temporariamente e de forma prolongada o controle do Partido Comunista, das Forças Armadas e do Conselho de Estado.

Fidel Castro anunciou, por meio de um comunicado na segunda-feira à noite, que se submeteu a uma "operação complexa" para interromper uma "crise intestinal aguda com sangramento" e que vai se ausentar do poder durante semanas.

Desde então, não foram dados novos detalhes sobre seu estado de saúde.

O líder cubano foi visto em público pela última vez no dia 26 de julho, quando viajou às Províncias de Granma e Holguín para comemorar o 53º aniversário do assalto ao quartel de Moncada. Ele fez dois discursos, totalizando cinco horas.

Em uma de suas declarações disse, brincando, que não pensava em governar até os 100 anos.

Casa Branca

Os Estados Unidos não têm planos de melhorar as relações entre o país e Cuba depois de o presidente cubano, Fidel Castro, ter passado temporariamente o poder a seu irmão devido a um problema de saúde, disse na terça-feira a Casa Branca.

"Não há planos de aproximação", disse o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, sobre a temporária transmissão do governo a Raúl Castro.

"Não sabemos quais são as condições de Fidel Castro", completou ele, afirmando não acreditar que o líder esteja morto.

Calma em Havana

Os cubanos mantinham a calma, na terça-feira, diante da inesperada hospitalização do dirigente da ilha comunista.

Na segunda-feira, antes de ser submetido a uma cirurgia para estancar uma hemorragia intestinal, Fidel Castro, que cumprirá 80 anos dia 13 de agosto, transferiu, de forma temporária e inédita, seus principais encargos para seu irmão mais novo, Raúl, ministro de Defesa e número 2 do governo.

O mandatário apresenta-se como uma figura quase paternal aos 11 milhões de cubanos, ocupando-se de cada detalhe, desde o rumo da política internacional até o consumo de energia pelos eletrodomésticos dos moradores do país.

O Granma, jornal do Partido Comunista da ilha, publicou na íntegra, em sua primeira página, a declaração lida na TV.

Na terça-feira, Havana acordou calma. Como todos os dias, as pessoas esperavam os ônibus abarrotados, paravam nos sinais ou pedalavam em bicicletas rumo a seus trabalhos.

"Hoje é um dia normal. Estamos todos preocupados com ele, mas sabemos que não haverá sobressaltos. A vida continua", afirmou Miguel, 62, um engenheiro aposentado do bairro de Marianao.

O clima nas ruas da cidade de 2 milhões de habitantes contrasta com a agitação verificada na segunda-feira à noite em Miami, reduto dos exilados anticastristas. Ali, a hospitalização de Fidel foi festejada até com fogos de artifício.

Ao saber do afastamento do dirigente cubano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal aliado dele, levantou o punho e gritou: "Vida longa a Fidel Castro!"

"Desejo, de coração, que o presidente Fidel Castro se recupere rapidamente a fim de permanecer para sempre conosco", afirmou, em uma reunião com empresários vietnamitas realizada durante uma visita oficial a Hanói.

Fidel governa Cuba desde a vitória da revolução comandada por ele, em 1959.

"Em boas mãos"

Todos os olhos estão voltados agora para Raúl, 75, visto pelos cubanos como um homem menos carismático, mas mais pragmático que o irmão mais velho.

Pela primeira vez em 47 anos do governo comunista da ilha, Raúl assume, provisoriamente, mas por um período longo, o controle de todas as esferas da vida política cubana: as Forças Armadas, o Partido Comunista e o Conselho de Estado.

"Raúl sempre esteve ao lado de Fidel, de forma que o país está em boas mãos", afirmou Danai, de 22 anos, que esperava por um ônibus em uma agitada rua da periferia de Havana.

Segundo a Constituição cubana, Raúl é o homem apontado para suceder Fidel no caso de este ficar ausente ou morrer. Principal general das Forças Armadas de Cuba, Raúl acompanhou o irmão em todas as suas batalhas. Mas, ao contrário do irmão famoso, não gosta de aparecer diante das câmeras de TV e prefere a discrição.

Seus biógrafos afirmam que o número 2 de Cuba é um homem pragmático e o cérebro por detrás da tímida abertura econômica implantada no começo da década de 1990. Recentemente, Raúl afirmou que o único herdeiro de seu irmão será o Partido Comunista.

Ao delegar seus poderes, Fidel pediu que o país mantenha a guarda alta diante dos EUA, o maior inimigo do revolucionário. O território norte-americano fica a apenas 150 quilômetros de Cuba.

"Não tenho a menor dúvida de que nosso povo e nossa Revolução vão lutar até a última gota de sangue para defender estas e outras idéias e medidas que possam ser necessárias para proteger nosso processo histórico", acrescentou.

O presidente norte-americano, George W. Bush, aprovou recentemente um pacote de medidas e o gasto de US$ 80 milhões de ajuda para pressionar por uma mudança de regime em Cuba.

Esse não é o primeiro revés sofrido pela saúde do líder cubano. Em junho de 2001, Fidel desmaiou durante um comício em Havana. E, em outubro de 2004, tropeçou durante um evento realizado na cidade de Santa Clara, fraturando o joelho esquerdo e o braço direito.

Agora, o dirigente atribuiu seus problemas de saúde ao estresse provocado pela viagem, 11 dias atrás, à cidade argentina de Córdoba para participar de uma cúpula do Mercosul.

A crise atual acontece no momento em que Fidel assiste a uma recuperação de sua influência no plano internacional, fato atribuído em parte aos programas de assistência médica gratuita elaborados junto com o presidente venezuelano.

O líder cubano foi visto pela última vez em público no dia 26 de julho, quando celebrou o 53º aniversário do ataque contra o quartel de La Moncada. Seus discursos então somaram cinco horas.

Em uma de suas intervenções disse, fazendo piada, que os EUA não deveriam se preocupar porque ele não pensava em governar até os 100 anos de idade.

Com agências internacionais
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