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 Internacional

28/08/2006 - 14h39
Annan pede ao Líbano libertação de soldados israelenses

Por Jonathan Wright

BEIRUTE (Reuters) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, exigiu a ministros libaneses na segunda-feira que os dois soldados israelenses sequestrados na operação que deflagrou a guerra entre Israel e o Hizbollah sejam entregues à Cruz Vermelha, disse uma fonte do governo.

A fonte, que participou da reunião de Annan com o gabinete libanês, disse que o secretário-geral afirmou que vai pedir ao presidente sírio, Bashar al-Assad, que estabeleça relações diplomáticas com o Líbano e que controle o lado sírio da fronteira.

Annan, que deve chegar a Israel na terça-feira, está tentando obter progressos nas questões mencionadas na resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que determina a ampliação da força da ONU com o objetivo de consolidar a trégua entre Israel, o Líbano e o Hizbollah, que entrou em vigor no dia 14 de agosto, depois de 34 dias de guerra.

"Temos uma chance de ter uma trégua de longo prazo e uma paz de longo prazo, e todos precisamos trabalhar juntos", disse Annan depois de conversar com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, importante aliado do Hizbollah e que está negociando em nome do grupo militante.

Annan também manteve negociações em separado com o ministro da Energia, Mohammed Fneish, um dos dois ministros do Hizbollah, disse uma fonte libanesa.

A resolução da ONU autorizou a ampliação para até 15 mil soldados da força de paz, a Unifil, que já atua no Líbano com um contingente de 2.000 homens. A força deve ajudar 15 mil soldados libaneses a policiar uma zona de isolamento de fronteira, de modo a manter as forças israelenses e do Hizbollah afastadas.

A atuação da nova força foi um dos temas centrais da conversa de Annan com o primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, assim como a suspensão do bloqueio aéreo e marítimo imposto por Israel ao país e que já dura mais de um mês e meio.

"Sobre a suspensão do bloqueio, isso vai acontecer, se Deus quiser, mas não em 24 horas", disse Siniora.

Israel afirma que vai manter as restrições até que o embargo sobre as armas do Hizbollah esteja assegurado. O país quer que a missão da ONU patrulhe a fronteira de 375 km com a Síria.

"Nós discutimos ... a chegada das forças internacionais e a retirada israelense, que têm de acontecer logo", disse Siniora.

A missão ganhou força na sexta-feira, quando países europeus prometeram fornecer 7.000 soldados. Na segunda, a Turquia afirmou que também vai colaborar, mas não havia números oficiais.

O presidente do Parlamento libanês, Berri, que disse ter reclamado a Annan sobre violações da trégua por Israel, pode ter uma atuação essencial nas negociações para a libertação de prisioneiros libaneses em troca da soltura dos soldados israelenses capturados no dia 12 de julho.

PRESSÃO

O líder do Hizbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, mencionou no domingo negociações que podem levar à troca de prisioneiros. Também pediu um governo de unificação nacional, sem porém reivindicar mais poder para o Hizbollah, que hoje tem dois ministros no governo.

Seu principal aliado cristão, o general aposentado Michel Aoun, disse numa entrevista coletiva na segunda-feira que o governo Siniora deveria acabar, e fez uma aparente ameaça velada.

"Esperamos ... que ocorra uma mudança pacífica, preservando a estabilidade do país. Se essa mudança não acontecer desse modo, há outras formas de as coisas se desenrolarem."

Em Damasco, o ativista norte-americano Jesse Jackson reuniu-se com líderes exilados do Hamas para tentar mediar uma troca de prisioneiros, visando à libertação de um outro soldado israelense sequestrado por militantes palestinos.

Segundo o integrante do Hamas Mohammed Nazzal, Jackson reuniu-se com o líder Khaled Meshaal na noite de domingo.

"Insistimos que a troca de prisioneiros tem de ser simultânea, o principal ponto de discórdia", disse Nazzal.

Israel deu início a uma ofensiva contra a Faixa de Gaza no dia 28 de junho para tentar recuperar o soldado. Os confrontos continuam, e as forças israelenses mataram dois integrantes de uma força de segurança do Hamas, dois guardas presidenciais e um civil, segundo fontes palestinas.

O presidente da ONU deve ir até o sul do Líbano e até Israel na terça-feira. Uma autoridade síria disse que Annan é esperado em Damasco na quinta-feira. Ele também deve ir ao Irã.

Os Estados Unidos acusam a Síria e o Irã, principais aliados do Hizbollah, de incentivar o conflito no Líbano e de apoiar grupos militantes palestinos.

O presidente da França, Jacques Chirac, disse que o Irã e a Síria não devem se isolar do resto do mundo, mas sim trabalhar pela construção de uma paz duradoura no Oriente Médio.

(Reportagem adicional das redações de Jerusalém, Gaza, Paris e Damasco)

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