Filho de uma professora de inglês e de um advogado que se tornaria empresário nos EUA, o cubano Andrés Arturo García Menéndez, nascido em Havana, migrou aos cinco anos para Miami com os pais após o fracasso da tentativa de invasão da ilha organizada por dirigentes da CIA em 1961. Mais tarde, Menéndez tornou-se ator badalado em Hollywood, sob o nome artístico Andy Garcia.
| SITUAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS |
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| Categoria | Cubanos | Outros hispânicos |
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| Cidadãos americanos | 60% | 26% |
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| Possuem casa própria | 61% | 47% |
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| Concluíram faculdade | 25% | 12% |
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| Índice de pobreza | 11% | 17% |
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| Fonte: 2004 American Community Survey (EUA) |
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LEIA ESPECIAL SOBRE A ERA FIDEL |
Garcia é um exemplo famoso e sintomático de um processo desencadeado pela tomada do poder por Fidel Castro e seus revolucionários e aprofundado pelas medidas que fizeram de Cuba um país socialista: a migração para os EUA. Somente nos dez primeiros anos do regime castrista, cerca de 410 mil famílias cubanas entraram em território americano, de acordo com a edição de 2004 do Livro de Estatísticas de Imigração dos EUA. Em 2004, havia por volta de 1,5 milhão de cubanos morando nos EUA, segundo Pesquisa das Comunidades conduzida pelo Censo americano. Destes, 912 mil nasceram na ilha; outros 535 mil são filhos de cubanos, nascidos em solo americano.
Os imigrantes cubanos destoam das demais comunidades hispânicas alocadas nos EUA, em geral, por um motivo: quando deixaram seu país, principalmente nas duas primeiras décadas da ditadura socialista, não eram pobres, como explica o escritor brasileiro Fernando Morais no livro "A ilha", de 1976.
"Em 1959, havia 6.000 médicos no país. Entre janeiro de 1959 e fins de 1960, a metade asilou-se nos EUA. Quando, em 1961, o governo proclamou o caráter social da revolução, ocorreu o que os cubanos chamam ironicamente de 'reforma urbana espontânea': a fuga em massa dos milionários para Miami. Os dois bairros mais elegantes de Havana, Miramar e Laguitos, ficaram desertos da noite para o dia".
O estudo "Cubanos nos EUA", divulgado pelo instituto "Pew Hispanic Center" em agosto de 2006, registra a peculiaridade da comunidade cubana. Em comparação aos hispânicos residentes no país, os cubanos detêm um nível mais elevado de educação, renda mensal maior e mais casa própria (ver tabela).
A oposição de quase meio século dos EUA ao regime castrista diferencia ainda mais os cubanos do restante dos imigrantes latino-americanos: em geral, eles são mais bem-vindos no país. Cerca de 60% deles são cidadãos norte-americanos, mais da metade do índice alcançado pelos demais hispânicos (26%).
| IMIGRANTES CUBANOS NOS EUA |
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| Estado | Habitantes |
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| Flórida | 990 mil pessoas |
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| Nova Jersey | 81 mil |
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| Nova York | 78 mil |
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| Califórnia | 74 mil |
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| Texas | 34 mil |
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| Fonte: 2004 American Community Survey (EUA) |
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O levantamento do "Pew Hispanic Center" também registrou a visão política dos cubanos. Ela é a mais conservadora entre as comunidades latinas: 28% consideraram-se republicanos, mais do que mexicanos (15%), porto-riquenos (11%) e centro e sul-americanos (7%).
Quanto à visão em relação a seu país natal, há um levantamento de 2004 do Instituto de Pesquisa de Opinião Pública da Universidade Internacional da Flórida que apontava que 32% dos cubanos diziam-se dispostos a retornar a Cuba quando o regime de Fidel ruísse. A maioria (56%) mostrava-se favorável ao diálogo com o governo cubano.
Ações pacíficas, terrorismoUma vez fora de Cuba, muitos dos exilados cubanos passaram a atuar em grupos para derrubar ou, ao menos, desestabilizar Fidel Castro. Em 1981, foi fundada a Fundação Cubano-Americana, uma organização não-lucrativa que teve como propósito básico, desde sua origem, derrubar o governo de Fidel.
Financiada pelo Partido Republicano dos EUA, a entidade mantém rádios anticastristas e promove propaganda e ações contra o ditador. Algumas delas, terroristas. Em 1998, Luis Posada Carriles admitiu em entrevista ao "The New York Times" ter recebido financiamento para soltar bombas em Cuba, no ano anterior.
As ações terroristas não são exclusividade da Fundação Cubano-Americana. Em 1976, antes portanto do advento da entidade, o vôo 455 da companhia aérea Cubana Airlines foi derrubado por terroristas, deixando os 73 passageiros mortos.
Os dissidentes nos EUA contam, também, com um lobby no Congresso. Em março de 2007, eram seis os parlamentares com origens cubanas: os senadores Mel Martinez e Bob Menendez (o único do Partido Democrata da lista) e os deputados Lincoln Diaz-Balart, Mario Diaz-Balart, Ileana Ros-Lehtinen e Albio Sires.
Com presença inclusive entre seus representantes, o governo dos EUA não se limita a perpetuar o embargo e financiar a Fundação Cubano-Americana. A mais famosa rádio anticastrista dos EUA é a Radio Martí, baseada em Miami e financiada pelo governo norte-americano. Suas transmissões, em espanhol, são direcionadas a Cuba, mas podem ser ouvidas da Flórida.