Mais de 30% dos brasileiros que vivem em Portugal estariam em situação ilegal, segundo o presidente da Casa Brasil em Lisboa, Gustavo Behr.
Para Behr existe uma enorme contradição pensar na expulsão dos imigrantes no Ano Europeu do Diálogo Intercultural. "Acho inacreditável, inaceitável." "Estamos muito preocupados com a situação, de 40 mil pedidos de regularização de imigrantes brasileiros em Portugal, só foram aceitos uns 6 mil em seis meses. Por isso é fundamental alertar para estas questões", disse Behr em clara contraposição com a postura do governo português.
Segundo Behr, "o mais grave é que, apesar de ter dito às associações de imigrantes que não o faria, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) já notificou muitos candidatos à regularização para abandonar o país, uma conduta injusta, desumana e chocante".
O ministro da Administração Interna do governo português, Rui Pereira, reforçou em Brasília, após uma reportagem do
UOL, que a imigração legal é favorecida em Portugal, ao mesmo tempo em que é combatida a imigração ilegal, normalmente associada a fenômenos sociais gravíssimos, como tráfico de pessoas.
O ministro disse ainda que foi aprovada no ano passado a nova lei de imigração portuguesa, que prevê a possibilidade de regularização de imigrantes, desde que tenham entrado legalmente no país, possuam contrato de trabalho e contribuam para a Segurança Social.
Neste aspecto, o responsável da Casa do Brasil disse que "diretivas como a do 'Retorno' colocam pressões nos países membros da UE que lutam não pela integração ou pela regularização, mas sim pela expulsão dos nossos imigrantes."
Segundo informações as quais o
UOL teve acesso esta semana, 13 brasileiros foram barrados e imediatamente deportados à chegada ao Aeroporto Internacional de Lisboa. Behr acha que isto "é cada vez normal na União Européia e por isso é preciso fazer um debate importante e entender porque este fechamento da UE aos imigrantes quando todos sabemos que precisa de nós".