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08/08/2008 - 07h56

Brasileiro baleado em tentativa de roubo a banco em Lisboa está internado em estado grave; o outro brasileiro morreu

Fernando Moura
Especial para o UOL
Em Lisboa
O brasileiro baleado na noite de ontem pela polícia portuguesa após a tentativa de um roubo a banco em Lisboa está internado no Hospital de São José, na capital portuguesa, em estado grave e respirando com auxílio de aparelhos, segundo boletim médico divulgado na manhã desta sexta-feira.

  • EFE

    Os dois assaltantes apontam armas para os reféns na porta do banco...

  • EFE

    ...instantes antes da polícia invadir o prédio do BES; um deles morreu

    O assaltante, que não teve o nome revelado pela polícia, mas que foi confirmado como de origem brasileira, tem, no entanto, uma evolução clínica favorável. "Está ligado à máquina e com sedação", segundo informou o doutor Lopes Martins, responsável pelas Urgências do hospital.

    Ainda segundo o boletim, o jovem - que de acordo com a polícia tem entre 25 e 35 anos - tem "ferimentos de bala no crânio e na face, apresentando dois orifícios", provocados no desfecho de uma tentativa de assalto com reféns à agência do Banco Espírito Santo (BES) situada na Rua Marquês da Fronteira, em Lisboa, que durou mais de oito horas.

    Os assaltantes eram dois brasileiros. Um deles morreu depois que, às 23h20 (19h20 de Brasília) de ontem a polícia invadiu o prédio, atirou nos dois e libertou dois dos seis reféns que eles ainda mantinham em seu poder.

    Segundo a sub-intendente da polícia portuguesa, Florbela Carrilho, após mais de oito horas de negociações e de meia hora de "tensão extrema", quando os assaltantes apontaram as suas armas para o pescoço dos dois reféns que ainda se encontravam à porta da agência, foi preciso agir com firmeza. A polícia então invadiu o prédio e agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) dispararam três tiros certeiros. De acordo com Carrilho, um dos seqüestradores também atirou, mas não atingiu ninguém.

    Refém foi internado com 'pequenas escoriações'
    Um dos reféns, que chegou a ser internado no mesmo hospital em que está o assaltante já teve alta. Segundo infomações do hospital, ele sofreu escoriações devido à seqüência de disparos. A segunda refém, que era gerente da agência, saiu ilesa após os disparos.

    Segundo a edição de hoje do jornal "Correio da Manhã", os disparos foram realizados por "um atirador especial, colocado do outro lado da rua e armado com uma carabina equipada com uma mira para ver à noite, tinha ordens para atirar a matar assim que tivesse uma linha de tiro, sem colocar em risco a vida dos reféns".

    O diário português descreve assim a cena do desfecho da ação policial: "Após um disparo, um dos seqüestradores, atingido na cabeça, cai ferido de morte. A refém que ele segurava, gerente da agência, foge. Um segundo tiro atinge o outro raptor na cara e suja de sangue o funcionário da agência bancária que ele prendia pelo pescoço".

    Como foi a tentativa de assalto
    A polícia portuguesa declarou, em comunicado oficial, que foi informada do assalto à agência do Banco Espírito Santo (BES) situada na Rua Marquês da Fronteira, em Lisboa, às 15h04 (hora de Lisboa, 11h04 de Brasília) de ontem.

    Pouco depois do início da ação criminosa, a dupla, que estava armada, segundo a polícia, deixou sair uma mulher, que teve uma crise de ansiedade. Mais tarde, saíram do banco outros três reféns. Dois ainda ficaram com os criminosos durante mais de oito horas.

    Antes da invasão e dos tiros, homens do Comando de Operações da Polícia (PSP) tentaram negociar a rendição dos assaltantes. Foram deslocados ao local integrantes do Grupo de Operações Especiais (GOE). Carros da polícia e sete veículos do Instituto Nacional de Emergências Médicas (Inem) estavam nos arredores da agência durante as tentativas de negociação.

    Também foi montado um perímetro de segurança na rua, interrompendo a circulação de trânsito e fechando os estabelecimentos comerciais junto à dependência bancária. Os reboques da polícia retiraram ainda todos os carros estacionados na rua.

    Para o criminologista português Moita Flores, este é um típico caso de assalto a um banco que não deu certo e que acabou por tornar as coisas muito difíceis para todos os envolvidos no episódio. "Este tipo de criminalidade está chegando a Portugal. E veio para ficar porque a situação social mudou e se estabeleceram em Lisboa. São sintomas de grande criminalidade, sintomas perigosos", declarou.

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