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08/08/2008 - 18h21

Jornal português diz que assaltantes de banco eram brasileiros e divulga nomes

Fernando Moura
Especial para o UOL
De Lisboa
Os assaltantes que na quinta-feira (7) fizeram seis reféns durante mais de oito horas em uma agência bancária de Lisboa, em Portugal, seriam mesmo dois brasileiros, informou o semanário português "Expresso" com exclusividade. Apesar de a edição de amanhã do jornal divulgar os supostos nomes dos criminosos, a polícia não confirmou a identidade de nenhum deles.

O assaltante que sobreviveu ao seqüestro chama-se Welington Nazaré, tem 23 anos e é natural do Estado de Minas Gerais, informou o jornal. Wellington vivia em Lisboa com um primo, Rodrigo Nazaré. Ele foi internado em estado grave no Hospital de São José, na capital portuguesa.

  • EFE

    Os dois assaltantes apontam armas para os reféns na porta do banco...

  • EFE

    ...instantes antes da polícia invadir o prédio do BES; um deles morreu

    O segundo assaltante, morto durante ação da polícia lisboeta, seria Nilson Souza, 35 anos de idade e vizinho do comparsa. Os dois se encontravam em Portugal havia alguns meses de forma ilegal, adiantou a polícia em entrevista coletiva nesta tarde.

    Em sua casa, "a polícia encontrou dez mil euros em dinheiro, perucas e abraçadeiras de plástico, iguais às que foram usadas durante o assalto para algemar os reféns", noticiou o semanário.

    Boletim clínico divulgado pelo Hospital de São José ao início da noite desta sexta-feira informou que Wellington Nazaré mantinha-se internado com "prognóstico reservado", mas sem aparentes lesões neurológicas. "A situação clínica é estacionária. A evolução mais recente define um quadro clínico sem aparente compromisso neurológico", afirma nota de imprensa entregue aos jornalistas às 19h do horário local (15h de Brasília).

    Fontes hospitalares informaram que o assaltante "vai manter-se sob o efeito de sedativos e será submetido a ventilação mecânica, pelo menos por mais quatro dias", devido a uma "lesão da via aérea superior". Um próximo boletim deverá ser divulgado apenas na próxima terça-feira.

    Brasileiro ligou para primo durante sequestro

    Informações veiculadas pelo jornal e pela rede de televisão portuguesa SIC dão conta de que Wellington teria telefonado ao primo antes de sair do banco com o refém, dizendo que "preferia morrer a entregar-se a polícia." O assaltante também teria pedido ao familiar que ligasse para sua mãe e lhe dissesse que "está bem e com muito trabalho".

    Rodrigo Nazaré teria se dirigido ao banco logo após a conversa telefônica e se apresentado a polícia como parente de um dos criminosos. Para o semanário, o conhecimento do telefonema de Wellington ao primo teria sido fundamental para a decisão de encerrar as negociações e atacar mortalmente os seqüestradores, já que estes não iriam desistir.

    O jornal "Expresso" afirma ainda que Rodrigo teria tentado convencer o primo a entregar-se à polícia, mas que Weliington "estava muito nervoso e só dizia 'eu suicido, eu suicido'.

    Violência e imigração

    Um relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português (SEF) afirma que, pela primeira vez, o Brasil "surge como a comunidade estrangeira mais numerosa, resultado do crescimento sustentado desta comunidade verificado ao longo dos últimos anos." O documento aponta que 15% da população emigrante brasileira reside em Portugal.

    Este fenômeno, relata o SEF, já vem desde "o início do presente século, através de um crescimento forte e contínuo da comunidade brasileira face a um crescimento sustentado da comunidade cabo-verdiana. Por outro lado, não devem ser ignorados outros fatores exógenos, a montante, nomeadamente os que se prendem com a realidade e evolução registradas naqueles dois países."

    Frente ao relatório, o embaixador do Brasil em Lisboa, Celso Marcos de Seabra, disse ao SIC não concordar em atribuir aos imigrantes o aumento de violência que se tem registrado em Portugal nos últimos tempos.

    Cerca de 436 mil estrangeiros residem hoje no país. A maioria vive no litoral, onde se localizam as zonas de maior concentração populacional. Segundo o SEF, "cerca de 70% dos imigrantes se concentra nos distritos de Lisboa, Faro e Setúbal, no que acompanha, aliás os movimentos do universo total da população."

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