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20/08/2008 - 15h26

Os corpos estão tão quentes que não podem ser tocados, contam testemunhas

Da Redação*
Em São Paulo
Um integrante da equipe de resgate que trabalha no local do acidente com o avião da Spanair no aeroporto de Barajas, em Madri, disse à reportagem do jornal espanhol "El Mundo" que os destroços estavam "cheios de corpos carbonizados". "É um milagre que haja sobreviventes", falou.

Veja imagens do acidente



    Como o avião pegou fogo, os trabalhos de resgate ficaram muito complicados. Os bombeiros demoraram a entrar no avião, devido ao calor. Um helicóptero da Prefeitura de Madri ajudou a jogar água sobre as chamas. Policiais e equipes de resgate relataram à "AP" que os corpos estavam tão quentes que não podiam ser tocados.

    "Eu nunca vi algo assim em toda a minha vida", disse o motorista de ambulância Luis Ferreras ao "El País". "O avião está completamente destruído", completou uma fonte da equipe de resgate à "AP".

    O porta-voz das equipes de emergência, Herbigio Corral confirmou que apenas a cauda do avião dava para ser reconhecida. "Havia corpos por uma vasta área, muito deles, de crianças".

    "Não sobrou nada que se pareça com um avião. Está todo queimado", declarou um guarda civil que voltavam da área do acidente. "É um horror, não quero nem contar, não quero nem contar".

    Para outro guarda civil, o acidente é "o mais parecido com o inferno que já viu". "Os cadáveres estavam fervendo, nos queimamos no resgate".

    Um funcionário do AENA (Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea) contou ao "El País" que o avião estava todo partido e "cheio de corpo". Segundo outras testemunhas, o motor esquerdo da aeronave pegou fogo logo após o deslize da pista e uma conseqüente colisão no final da pista do Terminal 4. De acordo com o jornal espanhol, 11 caminhões de bombeiros trabalharam para conter o fogo, que já foi extinto.

    Dezenas de parentes dos passageiros aguardam notícias no aeroporto de Barajas. O padre Ángel García, que ajuda no consolo aos familiares, afirma que eles "desconhecem o número de mortos". O padre disse ainda que "todos tem a angústia e a esperança de que entre os poucos ou muitos sobreviventes estejam seus parentes".

    Face à magnitude da tragédia, a prefeitura de Madri disponibilizou um hospital de campanha, igual ao usado nos atentados de 11 de março de 2005, para atender os feridos. 170 policiais municipais, 70 bombeiros e 230 paramédicos foram enviados ao local do acidente.

    * Com informações da Folha Online, do "El País" e das agências internacionais.

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