Segundo informações do portal El País, até as 22h de ontem, ao menos 20 carros fúnebres chegaram ao centro de convenções Ifema, em Madri. Lá estão os corpos das vítimas do acidente com o vôo da Spanair, que saiu da pista e pegou fogo no aeroporto de Barajas, ontem à tarde. Trata-se do mesmo local para onde foram levados os corpos das vítimas do atentado terrorista ocorrido na cidade em 11 de março de 2004.
Chegando ao local onde estão os corpos, é necessário que os parentes das vítimas descrevam os traços físicos da vítima para um dos 80 membros da equipe de assistência psicológica e social. O assistente então busca os corpos, ou partes dos corpos, que se assemelham à descrição. Então, um membro da família é chamado para ver apenas os corpos que correspondem a essas características, sem precisar passar pelos mais de cem cadáveres de homens, mulheres e crianças. A identificação é complicada devido ao estado dos corpos.
"Imagine como posso me sentir... perdi meu sobrinho que vinha de Orlando e que hoje precisamente completava 23 anos", relatou o tio de um dos passageiros desaparecidos no acidente ao portal El Mundo.
"Para mim sempre será uma estrela. Além de ser um missionário, foi uma bela pessoa", comentou, ao mesmo portal, Luis, sobrinho de Claudio Ojeda, um dos passageiros que perderam a vida. O missionário, que trabalhava em Camarões, na África, regressava ontem a sua terra natal para passar um mês de férias.
Uma equipe da Cruz Vermelha está trabalhando em coordenação com outros serviços emergenciais para dar assistência aos parentes das vítimas no centro de convenções, assim como nos hospitais onde estão os feridos e nos hotéis habilitados para alojar aqueles que vieram de outras localidades. "Os familiares estão admitindo que perderam um ente querido. O pior passou", declarou o porta-voz do Ifema, Jesús López Santana. "O maior apoio que eles podem receber agora é de seus familiares. Nós devemos fazê-los sentir que estamos aqui para ajudá-los a exteriorizar seus sentimentos", acrescentou ao El País.