O presidente norte-americano George W. Bush já começa a ser responsabilizado pelo colapso econômico que já ultrapassa os limites de Wall Street, aponta reportagem do The New York Times deste sábado (assinantes do UOL podem ler a íntegra do texto
aqui).
Os economistas sabem que há diversos culpados para a crise, - como o Congresso norte-americano, os bancos, o Federal Reserve, a indústria de créditos imobiliários e até mesmo Bill Clinton - mas concordam que boa parte da responsabilidade é do governo Bush.
"O governo Bush teria ajudado se delegasse poderes aos funcionários do Tesouro e do Federal Reserve, bem como ao controlador da moeda e à Corporação Federal de Depósitos de Seguros (FDIC) para que eles acompanhassem mais de perto essas questões. Além do mais, o Congresso teria também ajudado se fizesse inquéritos", afirma Vincent R. Reinhart, ex-economista do Federal Reserve e membro do conservador Instituto Americano de Empreendimentos.
"Não há dúvida de que a crise ocorreu sob a administração dele", afirma Kenneth S. Rogoff, professor de economia da Universidade Harvard e assessor de McCain. "São oito anos de governo Bush. Houve muito tempo para lidar com esse problema".
Os dois primeiros secretários do Tesouro do governo Bush, Paul H. O'Neill e John W. Snow, também são duramente criticados. Eles foram anteriormente executivos de alto escalão do setor empresarial, não tendo vindo de Wall Street, e eram vistos em Washington como defensores dos interesses empresariais, e como indivíduos que se sentiam desconfortáveis com os mistérios dos mercados.
"A principal agência responsável por ficar de olho nesse tipo de coisa é, e deveria ser, o Departamento do Tesouro, e eu acho que o presidente errou desde o princípio ao nomear dois secretários sem nenhuma experiência em finanças", critica Bruce R. Bartlett, economista republicano que trabalhou para os presidentes Ronald Reagan e George H.W. Bush.
Algumas falhas do governo Bush parecem mais um caso de inação. Os economistas dizem que o governo pouco fez para conter as práticas das corretoras de hipotecas, que são reguladas pelos Estados. Mas, segundo esses técnicos, os parlamentares democratas são igualmente culpados.