Um carro-bomba explodiu hoje no estacionamento da Universidade de Navarra, na cidade espanhola de Pamplona. Segundo informações preliminares, pelo menos 17 pessoas estavam nas imediações do local da explosão e se feriram. A clínica universitária atendeu até agora 15 pessoas e outras duas deram entrada no Hospital de Navarra e na clínica Virgem do Caminho.
Segundo o jornal "El País", apesar de a Delegação do Governo de Navarra ter afirmado inicialmente que não houve nenhum aviso antes da detonação do carro-bomba, fontes do mesmo departamento declararam depois que foi feito um comunicado anônimo em nome do grupo separatista basco ETA por meio de um telefonema, por volta das 9h50 (hora local), a uma concessionária de estradas de Álava. O informante dizia que havia sido colocado um explosivo em um "campus da universidade" que iria ser detonado uma hora mais tarde. Não teria sido especificado, no entanto, em que universidade.
O veículo explodiu por volta de 11h (horário local) no parque de estacionamento junto ao edifício central da universidade e próximo da Biblioteca e da Faculdade de Comunicação, que foram desalojados. Segundo testemunhas, o estrondo foi ouvido em todo o campus. Muitas viaturas de polícia e ambulância estão no local.
O prédio de Ciências Sociais também precisou ser desalojado, segundo informações do professor José Luis Orihuela, da universidade. De acordo com a universidade, a explosão atingiu carros e quebrou vidros do edifício central.
A explosão ocorre dois dias após agentes da polícia terem detido quatro suspeitos integrantes do grupo separatista basco ETA (três em Pamplona e um em Valencia), como integrantes do novo comando Nafarroa. Na operação, a polícia apreendeu material para a produção de explosivos, detonadores e dois revólveres.
De acordo com o jornal espanhol "El País", o atentado de hoje é o sexto contra a Universidade de Navarra a mando do ETA. Alguns deles provocaram muitos danos materiais. A primeira ação terrorista contra a universidade ocorreu em 4 de outubro de 1979 e teve como alvo os escritórios da Editora Universitária da Opus Dei e Barañain, próximo a Pamplona. Este atentado foi cometido por membros do comando Arizta.
"Valores diametralmente opostos"O diretor Ramón Salaverría, do Departamento de Projetos Jornalístico da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, declarou em seu blog momentos depois do ataque que o ETA tentou "matar indiscriminadamente na universidade" em uma hora de "trânsito máximo de pessoas". "Com essa ação depreciável, pretendiam denificar uma instituição e algumas pessoas que, ao contrário deste grupo criminoso, trabalham dia-a-dia pelo progresso da sociedade navarra", continuou ele.
"A universidade é um lugar de pensamentos, de diálogo, da razão. Nós que trabalhamos aqui sabemos que este é o motivo pelo qual querem acabar conosco, pois representamos valores diametralmente opostos aos do ETA. E com muita honra", escreveu Salaverría.