Enquanto o desespero já começa a tomar conta dos
turistas que não conseguem sair da Tailândia, os brasileiros que moram no país estão apreensivos, mas em segurança. Pelo menos este é o sentimento de Odaléa Freire, que mora em Bancoc há três anos com o marido e dois filhos.
Segundo a brasileira, o povo tailandês é hospitaleiro e os manifestantes não querem agredir os estrangeiros. O grande problema da comunidade brasileira local é não poder voltar ao Brasil para passar as festas de fim de ano. Desde terça-feira (25) da semana passada, manifestantes fecham o aeroporto internacional de Bancoc pedindo a renúncia do primeiro-ministro Somchai Wongsawat.
"A prioridade são os turistas. Como moramos aqui, já sabemos que não iremos visitar o Brasil no Natal. Já tinha comprado minha passagem para o dia 6, mas serei reembolsada pela agência. Estamos frustrados", contou.
Odaléa preside uma associação de brasileiros na Tailândia que já conta com 65 associados. Seu dia-a-dia não foi alterado. Ela continua indo ao mercado e ao shopping, como acontecia antes de os protestos se intensificarem.
No entanto, algumas pequenas diferenças são identificadas nas ruas. "Tudo aqui é lotado. A cidade tem muita gente. Porém, hoje em dia, apesar do trânsito, os lugares públicos como os shoppings estão vazios", disse. Além disso, os estrangeiros evitam ir aos locais de manifestação, como a zona do aeroporto e do palácio.
Para o engenheiro Ivan Dayrell, que mora há apenas três meses em Bancoc, o risco de um golpe militar é o que mais preocupa. "Sou brasileiro. A gente é traumatizado com essa história de golpe. Mas, acho que aqui seria diferente", disse.
O cotidiano de Dayrell também foi pouco afetado pelas manifestações. "A única confusão visível são as agencias de viagem lotadas de turistas tentando voltar para casa. De resto, tudo funciona direitinho. Só vejo problemas pela TV", contou. O engenheiro até mesmo elogia o país. "Eu estou gostando muito daqui. Tudo é barato. A comida é boa. O país é divertido."