UOL Notícias Internacional
 

10/12/2008 - 07h00

Direitos humanos avançaram no Brasil, mas "humanos direitos" ainda têm privilégios

Thiago Varella
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Desde o fim da ditadura militar, o Brasil tem feito avanços significativos em termos de direitos humanos. O país é signatário dos mais importantes tratados internacionais e possui uma das legislações mais progressivas do mundo, segundo analistas internacionais.
  • Reuters

    A missionária Dorothy Stang receberá uma homenagem póstuma da ONU



Em abril deste ano, o Brasil foi um dos primeiros países a assinar o acordo que regulariza o Universal Periodic Review (revisão periódica universal, em português), um novo mecanismo da ONU que irá fiscalizar o respeito aos direitos humanos a cada quatro anos.

Entretanto, boa parte da população continua sem a mínima proteção do Estado. "Os moradores das favelas são condenados a viver sob o medo constante das gangues criminosas e dos métodos repressivos e discriminatórios da polícia", afirmou Tim Cahill, da Anistia Internacional.

Para o especialista, mesmo depois de tanto avanço, apenas uma minoria goza de plenos direitos no Brasil. "Somente uns poucos, ricos, brancos e privilegiados - os "humanos direitos" - são amparados pelos direitos humanos. Enquanto o Brasil continuar com a vasta diferença economia e a violação sistemática dos direitos humanos, a Declaração Universal será apenas um sonho de milhões", disse Cahill

Somente uns poucos, ricos, brancos e privilegiados - os "humanos direitos" - são amparados pelos direitos humanos

Tim Cahill, da Anistia Internacional


A Anistia Internacional alerta ainda que algumas violações brasileiras não são nem ao menos divulgadas. No Mato Grosso do Sul, segundo a instituição, índios da tribo Kaiowa vêem suas crianças morrerem de fome todos os dias. No Espírito Santo, a expansão do eucalipto transformou comunidades quilombolas em guetos de extrema pobreza.

No Pará, a missionária Dorothy Stang foi assassinada lutando pelos direitos de centenas de agricultores e pela reforma agrária. A religiosa será homenageada hoje pela ONU em reconhecimento a sua luta pelos direitos humanos.

Mas nem tudo é perdido. O mesmo espírito de luta de Dorothy é compartilhado por milhões de brasileiros. Para a professora Maria Luiza Marcílio, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Universidade de São Paulo, a solidariedade é uma característica brasileira que pode ajudar a melhorar o país. "A cada dia temos um novo bom exemplo. É notável o que estão fazendo, por exemplo, para reconstruir Santa Catarina", afirmou.

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host