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03/01/2009 - 17h06

Coluna de tanques israelenses entra na Faixa de Gaza, diz testemunha

Das agências internacionais*
Uma coluna de tanques israelenses, alguns atirando, entraram na Faixa de Gaza no sábado, disse uma testemunha palestina, no que parece ser o início de uma ofensiva terrestre contra o Hamas.

CONFLITO EM GAZA: 8º DIA

  • Mahmud Ham/AFP - 3.jan.2008

    Bombeiro palestino combate incêndio em edifício de Gaza
    após ataque israelense

  • Sebastian Scheiner/AP - 3.jan.2008

    Em Ashdod, israelense olha para área atingida por foguete palestino

A testemunha, que mora na cidade de Beit Lahiya, afirmou que a coluna cruzou a cerca de divisa aproveitando-se da escuridão e estava acompanhada de helicópteros de combate israelenses.

A testemunha não pôde afirmar imediatamente até onde os israelenses entraram no território palestino.

Pouco depois o Exército israelense afirmou que as forças que entraram na região vão assumir o controle de algumas das áreas usadas por facções palestinas para atirar foguetes contra Israel.

"O objetivo é destruir a infra-estrutura de terror do Hamas na área de operações", disse a major Avital Leibovitch, porta-voz do Exército. "Vamos tomar algumas das áreas de lançamento usadas pelo Hamas".

Ataque a mesquita
Pelo menos 11 pessoas morreram e 24 ficaram gravemente feridas no bombardeio que helicópteros Apache israelenses lançaram hoje contra uma mesquita na localidade de Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, informaram fontes médicas palestinas.

A força aérea israelense lançou pelo menos três bombas sobre a maior mesquita da localidade, onde, no momento, a situação é caótica, já que a Força Aérea de Israel continua bombardeando a área e as ambulâncias não conseguem se aproximar para evacuar os feridos.

De acordo com o chefe dos serviços de emergência em Gaza, Moaweya Hasanien, 24 dos feridos se encontram em estado de "extrema gravidade".

O bombardeio foi acompanhado por tiros de artilharia disparados por tanques israelense de fora do território palestino.

Hoje foi o primeiro dia em que os tanques israelenses abriram fogo contra Gaza desde que a ofensiva militar de Israel teve início, há oito dias.

Segundo testemunhas, após o ataque à mesquita, oito helicópteros Apache sobrevoavam a Cidade de Gaza.

Protestos na Europa
Milhares de manifestantes, entoando slogans e carregando faixas, saíram neste sábado em passeata em cidades de vários países da Europa para exigir o fim dos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza.

Protestos foram realizados ou programados para este sábado na Grã-Bretanha, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Holanda e Espanha enquanto a ofensiva israelense entrava na segunda semana.

Em Paris, a polícia disse que mais de 20.000 manifestantes, muitos vestindo o lenço de cabeça palestino (keffiyeh), caminharam pelas ruas da cidade gritando slogans como "Israel assassino!" e levando faixas que exigiam o fim dos ataques.

Protestos semelhantes estavam previstos para cerca de outras 30 cidades.

A polícia de Londres disse que mais de 10.000 pessoas participaram de uma concentração e uma passeata barulhenta para exigir o fim da ofensiva israelense contra os militantes do Hamas, a qual matou pelo menos 446 palestinos.

Em muitas cidades européias as pessoas acenavam com sapatos -- relembrando o ato de um jornalista iraquiano que lançou seu calçado contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em Bagdá, no mês passado.

Manifestantes britânicos atiraram dezenas de sapatos na rua quando passaram pelo portão de entrada de Downing Street, onde mora o primeiro-ministro Gordon Brown, e gritaram furiosos diante de uma fileira de 40 policiais que lá estavam de guarda.

"Venha para pegar seus sapatos, Gordon", gritou uma mulher enquanto outros manifestantes entoavam para Brown slogans que diziam "Tenha vergonha".

Um porta-voz disse que Brown havia conversado novamente com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, neste sábado e está pressionando duramente por um cessar-fogo imediato.

Liderando a manifestação estavam a cantora Annie Lennox, os políticos Tony Benn e George Galloway e o comediante Alexei Sayle.

Os participantes levavam bandeiras palestinas e cartazes com frases como "Encerrem o cerco a Gaza" e "Parem com o massacre".

Israel diz que antes de pôr fim às operações os militantes do grupo islâmico Hamas devem parar com os ataques de foguete a partir de Gaza, mas os disparos continuaram no sábado. Quatro israelenses foram mortos por foguetes do Hamas desde que a ofensiva começou.

Aviso a Obama
A Organização da Conferência Islâmica (OCI) alertou hoje o presidente eleito dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, sobre as repercussões negativas que o bombardeio israelense contra a Faixa de Gaza pode ter sobre o processo de paz no Oriente Médio.

A advertência foi feita pelo secretário-geral da OCI, Ekmeleddin Ihsanoglu, na abertura de uma reunião de nível ministerial realizada em sua sede, na cidade saudita de Yeda.

"Fazemos um apelo à Administração americana, especialmente ao presidente eleito (Barak) Obama, para que considere as repercussões da agressão israelense na Faixa de Gaza sobre o futuro do processo de paz no Oriente Médio", afirmou Ihsanoglu.

O secretário-geral da OCI também pediu aos quatro países-membros da organização que ocupam postos não-permanentes no Conselho de Segurança da ONU (Burkina Fasso, Líbia, Turquia e Uganda) que intensifiquem sua pressão para que Israel aceite uma trégua em Gaza e permita a chegada de ajuda humanitária às vítimas, Ihsanoglu lamentou a frágil resposta do mundo islâmico ao bombardeio israelense em Gaza, que começou no sábado passado e que já deixou mais de 400 mortos e 2 mil feridos, segundo fontes médicas palestinas.

Além disso, o titular da OCI pediu às diferentes facções palestinas que busquem sua unidade e retomem o mais rápido possível as negociações em prol de sua reconciliação.

A OCI, que tem 57 países-membros, foi criada em 1969, em Rabat, após um incêndio na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, um dos templos mais importantes para os muçulmanos.

* com as agências EFE e Reuters

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