O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que Israel e a Autoridade Palestina aceitaram a proposta apresentada na terça-feira pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, e elaborado em conjunto com o líder francês para o fim da ofensiva em Gaza que já dura 12 dias.
No entanto, enquanto os dois lados estudam a proposta do cessar-fogo, os
confrontos foram retomados após o fim da primeira trégua de 3h ( das 9h às 12h no horário de Brasília) concedida por Israel nesta quarta-feira para a entrada da ajuda humanitária na faixa de Gaza, e novos bombardeiros já atingiram a região.
CONFLITO EM GAZA
Sarkozy e egípcio Mubarak elaboraram plano de trégua
Palestinos aproveitaram a primeira trégua para enterrar seus mortos
Refugiados recebem comida após entrada da ajuda humanitária
"O presidente comemora profundamente pela aceitação, por parte de Israel e da Autoridade (Nacional) Palestina, do plano franco-egípcio apresentado ontem em Sharm el-Sheikh", afirma o Palácio do Eliseu, em um breve comunicado. Nicolas Sarkozy, conclui a nota, "pede o início deste plano o mais rápido possível, para que pare o sofrimento da população".
O plano franco-egípcio, apresentado durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Nova York na noite de terça-feira, e que recebeu amplo apoio da comunidade internacional, prevê "um cessar-fogo imediato por um período limitado" que permita a retomada do envio de ajuda humanitária a Gaza e negociações a respeito da segurança na fronteira entre israelenses e palestinos
(Veja detalhes do plano).
Além disso, a proposta prevê o estabelecimento de corredores humanitários que deem tempo ao Egito e à ONU de trabalharem para um cessar-fogo definitivo. Os detalhes do acordo selado nesta quarta-feira e divulgado pelo gabinete francês, no entanto, ainda não estão claros.
O anúncio de Sarkozy veio após o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmar que Israel apóia a iniciativa egípcia de pôr fim aos combates.
"Israel agradece ao presidente egípcio (Hosni Mubarak) e ao presidente francês (Nicolas Sarkozy) por seus esforços para pôr fim às atividades terroristas em Gaza e ao contrabando de armas do Egito para Gaza", afirmou o porta-voz, contrariando a reação negativa do presidente Shimon Peres, que antes havia minimizado a proposta dos líderes.
"Israel considera de maneira positiva o diálogo entre egípcios e israelenses para avançar nesse aspecto", acrescentou.
Primeira tréguaNo 12º dia da ofensiva, que já deixou mais de 600 mortos e cerca de 2,5 mil feridos na faixa de Gaza, Israel anunciou a primeira trégua e a interrupção dos bombardeios na região das 13h (9h de Brasília) até as 16h (12h de Brasília), para permitir que a população palestina obtenha mantimentos, graças a um corredor humanitário. O anúncio foi feito pela porta-voz militar Avital Leibovich.
O corredor humanitário "permite a abertura de áreas geográficas durante determinados períodos de tempo nos quais a população poderá se abastecer e receber assistência", afirmou nesta quarta o escritório do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, ao anunciar a medida, em comunicado.
OFENSIVA ISRAELENSE DEIXA PALESTINOS DESABRIGADOS NA FAIXA DE GAZA
A população de Gaza vive fechada em suas casas sem energia elétrica, água ou a possibilidade de comprar alimentos desde que Israel iniciou a ofensiva ao território palestino, em 27 de dezembro.
Em resposta, o disparo de foguetes do lado do Hamas também seria suspenso durante o período, informou Abu Marzuk, membro do gabinete político do movimento islamita palestino em Damasco.
A continuidade desta medida de interromper os bombardeios durante três horas diárias seria estudada a cada dia em função da situação, disse Peter Lerner, porta-voz do organismo dependente do Ministério da Defesa que coordena as atividades de Israel nos territórios palestinos.
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Atualizado às 13h, com informações da EFE, AFP, Reuters, AP e BBC