Atualizada às 12h14Chris Gunner, porta-voz da agência da ONU para os refugiados (UNRWA, na sigla em inglês), denunciou à Agência Efe, que o exército israelense fechou os acessos à faixa de Gaza, que se encontra sob uma forte ofensiva israelense, por hoje ser o dia de descanso dos judeus.
"Fecharam as passagens porque é sabá!", afirmou indignado. O Exército israelense confirmou à Efe que os postos na fronteira estão fechados devido ao sabá.
Com isso, os caminhões com os quais a agência da ONU pretendia entrar em Gaza, onde a situação humanitária é crítica após duas semanas de bombardeios israelenses, não conseguiam entregar a ajuda que carregavam.
A agência de auxílio se encarrega de abastecer com alimentos mais de 900 mil palestinos que vivem na faixa territorial e esperava retomar hoje suas atividades na Faixa de Gaza depois que, na quinta-feira, suspendeu seus trabalhos por 24 horas em resposta à morte de seus motoristas em um bombardeio israelense.
Ontem, após obter garantias de Israel de que os comboios não seriam atacados, a agência ordenou a entrega das mercadorias, que não pôde ser efetuadas devido ao bloqueio das passagens.
Segundo Gunner, as atividades de distribuição da ONU em nenhum momento foram interrompidas, apenas o transporte de mercadorias, dado o risco que os motoristas e demais funcionários corriam.
Um porta-voz do organismo de Coordenação de Assuntos Civis no Exército de Israel, Peter Lerner, alegou que "no lado palestino dos terminais há mercadorias que não são recolhidas". "É verdade que as passagens estão fechadas. Mas, de qualquer maneira, até que não retirem o que há nelas não será possível levar mais (carregamentos) para o outro lado" do posto, acrescentou.
Sobre o fechamento em virtude do sabá, o porta-voz disse que "até a explosão da crise em Gaza, (as passagens) sempre ficaram fechadas aos sábados": "E só ontem à noite nos avisaram que a UNRWA voltaria a trabalhar, mas já era tarde demais para abrir (os postos) esta manhã", falou.
40 ataquesAs Forças Armadas de Israel entraram na terceira semana da ofensiva na região com mais de 40 bombardeios aéreos durante a madrugada, que deixaram cerca de 20 feridos e destruíram pelo menos sete edifícios, segundo testemunhas e as forças de segurança do Hamas.
Um tanque israelense também abriu fogo e matou oito membros de uma mesma família na localidade de Jabaliya, no norte da faixa de Gaza, informaram fontes médicas locais.
"Estávamos em casa quando começaram os bombardeios. Fugimos para outra casa e os tanques começaram a disparar. Fomos atingidos", afirmou Um Mohamed, uma mulher da família que foi levada com ferimentos ao hospital.
As vítimas, todas elas civis, se somam às 15 pessoas, entre elas outros sete civis, que morreram com bombardeios desde a última madrugada na região. De acordo com militares israelenses, os ataques tiveram como alvo túneis usados para contrabandear armas e locais usados para o lançamento de foguetes contra Israel.
As milícias palestinas lançaram pelo menos oito foguetes contra Israel, quatro deles contra a cidade de Ashkelon e o restante contra comunidades rurais. De acordo com fontes militares israelenses, três pessoas ficaram levemente feridas nesses ataques.
Desde o início da ofensiva israelense, em 27 de dezembro, 821 palestinos morreram, deles 235 crianças e 93 mulheres e dezenas de homens civis, e mais 3.350 foram feridos, segundo o chefe dos serviços de urgências do território, Muawiya Hasanein.
As tropas de infantaria também teriam avançado e trocado tiros com palestinos nas proximidades da Cidade de Gaza, embora aparentemente ainda não tenham entrado nas áreas de maior população.
Frente diplomáticaNo Cairo, os representantes dos principais grupos palestinos, Hamas e Fatah, tentam articular um cessar-fogo.
O Hamas pediu mais detalhes sobre os planos de trégua apresentados pelo Egito e pela França, mas um porta-voz adiantou que o grupo deve rejeitar qualquer idéia que não inclua a suspensão do cerco de Israel ao território.
Já o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou lamentar que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) tenha fracassado na tentativa de interromper a ofensiva israelense. Mesmo assim, ele disse manter grandes expectativas sobre a iniciativa egípcia, como forma de implementar a resolução.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse no entanto, que a continuação dos ataques com foguetes prova que a resolução da ONU é "impraticável".
Na sexta-feira à noite, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou, em um telefonema a Olmert, estar decepcionado com a continuação da violência em Gaza, apesar da pressão internacional por um cessar-fogo.
Ainda na sexta-feira, a agência de auxílio aos refugiados palestinos da Organização das Nações Unidas (UNRWA, na sigla em inglês) anunciou que iria retomar as operações na faixa de Gaza "assim que possível", depois de receber de Israel garantias de segurança a seus funcionários, informou uma porta-voz.
O anúncio foi feito um dia depois de a UNRWA ter suspendido os trabalhos de distribuição de alimentos na região, após um ataque israelense ter atingido membros de sua equipe, matando um motorista e ferindo outro.
Crime de guerraA Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que uma suposta recusa de socorro dos militares israelenses a feridos na faixa de Gaza pode constituir um crime de guerra.
Ele se refere a uma denúncia feita pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha de que uma de suas equipes teria encontrado crianças que teriam ficado junto aos corpos de suas mães depois de elas terem sido mortas em um ataque israelense perto da Cidade de Gaza.
"O incidente descrito pela Cruz Vermelha é comprometedor, porque tem todos os elementos que constituem um crime de guerra", disse ela à BBC. A ONU pediu que observadores de direitos humanos sejam levados para Gaza, Israel e para a Cisjordânia para que estas violações possam ser documentadas de maneira independente.