Até 24 de abril, a Coordenadoria Nacional pela Anulação da Lei de Caducidade -grupo formado pela sociedade civil uruguaia- tenta recolher 255 mil assinaturas para seu projeto contra anistia a crimes obtidos durante a ditadura. O objetivo do grupo é levar a plebiscito a anulação de uma norma que anistia crimes cometidos por militares e policiais durante o regime cívico-militar.
Uruguai
Nome: República Oriental do Uruguai
Divisão: 19 departamentos
População: 3,47 milhões
Expectativa de vida: 76,14 anos
Língua: espanhol
Religião: católica, com minoria protestante
Moeda: peso uruguaio
Natureza do Estado: república presidencialista
A ditadura no Uruguai se estendeu de 1973 a 1985. Durante o período, estima-se que tenham sido mortas aproximadamente 130 pessoas, e outras 160 continuam desaparecidas.
Até agora, o grupo reuniu aproximadamente 228.800 assinaturas e anunciou que nos próximos dias deve intensificar as atividades em prol de sua campanha, que também implica a inclusão de um novo texto legal sobre a questão, por meio de uma reforma constitucional. O objetivo principal é tornar sem efeito o que dispõem os artigos 1º, 2º, 3º e 4º da lei 15.848 -promulgada em 1986 e ratificada em plebiscito em 1989-, que estabelecem o não-julgamento de funcionários do Estado envolvidos em delitos, por motivos políticos, compreendidos entre 1973 e 1985.
Em sessão extraordinária do Congresso em fevereiro, o Parlamento uruguaio considerou inconstitucional, por 69 votos a 2, os quatro artigos controversos da chamada "Lei de Caducidade". A decisão veio uma semana depois de o governo também haver entendido como inconstitucional a aplicação da legislação em relação ao assassinato de uma militante comunista em 1974. No entanto, por enquanto o único órgão capaz de declarar a inconstitucionalidade da norma em casos específicos é a Suprema Corte de Justiça, que deve se pronunciar sobre a morte da militante em junho.
O assunto é um dos grandes temas da disputa eleitoral deste ano. A anulação tem o apoio da coalizão governista (Frente Amplio), mas conta com opositores pertencentes principalmente aos partidos Blanco (ou Nacional) e Colorado, que apoiaram a lei em 1986.
Se a coordenadoria conseguir recolher todas as assinaturas necessárias, a inconstitucionalidade da lei será submetida a um plebiscito com data prevista para o mesmo dia das eleições presidenciais deste ano, 25 de outubro.