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26/03/2009 - 13h18

"Eu prometi abrir a Casa Branca a vocês e é isso que estou fazendo", diz Obama ao abrir entrevista com perguntas enviadas por internautas

Do UOL Notícias
Em São Paulo
A Casa Branca inaugurou nesta quinta-feira (26) o serviço online no qual os internautas podem enviar perguntas, em texto ou em vídeo, que serão respondidas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
  • Reuters

    Obama durante a entrevista


Em discurso antes de começar a sabatina, Obama disse que o novo mecanismo responde a uma promessa de campanha. "Eu prometi abrir a Casa Branca a vocês e é isso que estou fazendo hoje", falou.

A comunidade, que é moderada, recebeu desde terça-feira 104.127 perguntas de 92.925 pessoas.

Os internautas também podem votar nas perguntas que já foram postadas. As mais populares foram respondidas pelo presidente. Ao todo, foram 3.606.830 de votos.

Essa não é uma iniciativa isolada. Desde sua campanha, Obama busca incorporar as novas mídias e, uma vez no governo, inaugurou diversas páginas de interação com o governo. Entre elas existem o blog da Casa Branca e uma página sobre o orçamento. Além disso, as viagens da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, podem ser acompanhadas por um mapa interativo.

Abaixo, temas abordados por Obama nesta entrevista com perguntas enviadas por internautas.

Educação
"Só estou aqui por causa da educação que eu recebi. Eu não venho de família rica. Muitos dos nossos não estão recebendo a educação necessária, e isso acontece porque as escolas estão defasadas, não há professores suficientes, material defasado.

Outro problema é a forma como as escolas e as aulas estão desenhadas. É preciso dinheiro e também reforma. Não é só colocar mais dinheiro, é preciso uma reforma.

Vamos investir em educação infantil. Focar no professor, pagar mais, dar apoio, mais treinamento, atualizações e vamos trabalhar com os professores para determinar as melhores maneiras de dar a melhor educação aos nossos alunos."

Habitação

"Nosso plano de habitação tem muitos componentes: estabelecer um mecanismo para que aqueles que não têm condições de pagar as hipotecas agora tenham chance de renegociar, tenham ajuda do governo, paguem parcelas menores e não percam a casa.

Com as novas leis, 40% das pessoas poderiam pedir refinanciamento hipotecário. Nós facilitamos muito."

Emprego

"Tivemos uma perda massiva de empregos nos últimos meses. Se não consertamos a liquidez do credito, por causa de um bando de CEOs, não conseguiremos reverter os empregos.

Empregos verdes são o emprego do futuro. Temos que achar os empregos qualificados do futuro. Temos que treinar nossos empregados para os salários mais altos. Nem todos os empregos voltarão e não seria bom que todos esses voltassem. Temos que criar novos empregos.

Vai demorar um tempo para que as medidas que tomamos agora tenham efeito, que as pessoas voltem a construir casas. Vamos ter tempos difíceis, mas tenho certeza de que demos os passos para criar os empregos do futuro."

Saúde

"Agora é a hora de reformar o sistema de saúde. E a razão para eu pensar que é tão importante fazer isso agora é porque eu sei que a saúde afunda a economia, a nossa economia, a economia da família.

Eu quero um sistema universal, mas não sei se vamos conseguir um sistema como o europeu ou o do Canadá, porque lá você paga as taxas e automaticamente todo mundo está coberto. Nos EUA, o sistema é pago pelos empregadores, e todo mundo está acostumado a isso."

Obama defendeu ainda a mudança do sistema de exclusão dos planos de saúde por doenças pré-existentes. "Se for assim, ninguém terá direito a tratamento", falou. "Queremos que todos tenham plano de saúde. Temos diversas formas de fazer isso, mas isso é um princípio."

Legalização da maconha

"Uma das perguntas mais votadas no site foi sobre se a legalização da maconha não ia dinamizar a economia e criar empregos. Como foi uma pergunta muito votada, eu queria responder e a resposta é 'não, eu não acho que essa é uma boa estratégia'."

Veteranos

Questionado sobre as altas taxas de desemprego entre os veteranos de guerra do Iraque e do Afeganistão, Obama disse que vai investir em tratamentos pós-traumas, melhorar significativamente a qualidade do gasto e fazer um trabalho bem melhor quando os soldados voltarem para casa.

Indústria automobilítica

Obama destacou a importância da indústria automobilística como geradora de empregos diretos e indiretos, e foi enfático ao dizer que é preciso preservar o setor. Contudo, lembrou que um dos seus deveres é proteger os contribuintes, uma insinuação que sugere um pacote menos generoso do que os anunciados anteriormente pela atual administração.

Obama lembrou que o número de carros vendidos nos EUA caiu de um patamar de 40 milhões de unidades por ano para aproximadamente 9 milhões/ano. "O modelo atual não se sustenta. Todos vão ter de ceder um pouco. Acionistas, funcionários, fornecedores." Ao explicar a situação das empresas do setor, Obama usou mais de uma vez a palavra "reestruturação".

Financiamento universitário

"Estamos tentando fazer os programas de financiamento e bolsas funcionar melhor. A maioria dos financiamentos vem de bancos e não queremos mais que eles lucrem com os alunos. Queremos que os empréstimos sejam feitos diretamente, queremos mais pessoas elegíveis a esses programas."

Déficit no orçamento

Obama defendeu que o déficit foi criado não pelos investimentos que o governo dele está fazendo, mas pela política de corte de taxas de George W. Bush. Para o presidente, é preciso pensar nas próximas gerações. "Não podemos cortar os investimentos que trazem resultados no futuro. Uma família que está apertada agora, por exemplo, vai fazer um esforço para mandar o filho para a universidade ou vai deixar o filho comendo no 'fast food' e pensar nisso depois?", falou.

* Atualizada às 14h09

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