OS PROGRESSISTAS
-
O presidente Lula...
-
...a chilena Michelle Bachelet...
-
...a argentina Cristina Kirchner...
-
...o uruguaio Tabaré Vázquez...
-
...o britânico Gordon Brown...
-
...o norte-americano Joe Biden...
-
...e o norueguês Jens Stoltenberg
A conjuntura internacional mudou radicalmente desde a primeira reunião do grupo dos líderes de centro-esquerda, em 1999. Se nas últimas edições da Cúpula da Governança Progressista o grande tema era o avanço da direita na Europa e do conservadorismo republicano nos Estados Unidos, agora a atenção dos participantes reunidos a partir desta sexta-feira (27) em Vinã del Mar, no Chile, se volta essencialmente para a crise econômica.
Na mesa de discussão estarão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os socialistas Michelle Bachelet, presidente do Chile, e Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai, a peronista Cristina Kirchner, presidente da Argentina, o democrata Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, e os trabalhistas Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, e Jens Stoltenberg, primeiro-ministro da Noruega.
Juntos, os sete líderes se propõem a tentar achar alternativas progressistas para a crise financeira, que abarquem ao mesmo tempo a recuperação econômica dos países e a proteção aos mais pobres, ao meio ambiente e à democracia.
O resultado das conversas será levado para a cúpula de líderes mundiais do G20, que acontece em seguida em Londres.
Crítica ao neoliberalismoSegundo os organizadores do evento, as chamadas soluções "verdes", de cunho social e que evitem reações populistas e nacionalistas pretendem servir de resposta e crítica ao "laissez-faire" e à autorregulagem do mercado imposta pelo neoliberalismo, que, para os progressistas, é o responsável pela atual crise econômica.
"Os líderes envolvidos nesta Cúpula têm em comum um desejo de reforma do atual sistema e uma postura de querer achar soluções mais práticas. Por isso, recebem hoje mais atenção do que os demais. A crise fez com que houvesse uma mudança nos perfis das cúpulas e esta ganha mais importância agora do que antes", opina Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unesp.
Segundo ela, dificilmente o encontro resultará em soluções concretas para crise, mas as declarações conjuntas poderão sinalizar novas políticas e cooperação entre os países envolvidos, com maior participação do terceiro mundo nas decisões mundiais.
Para o cientista político Ricardo Caldas, professor da Universidade de Brasília (UnB), o discurso dos progressistas existe há mais de 30 anos e até hoje não foi colocado em prática. E agora, em sua opinião, não deve ser diferente.
"Não foram encontradas soluções para os combustíveis, o poder segue concentrado na mão dos Estados Unidos, os países não têm o dinheiro necessário para fazer investimentos que visem ao crescimento sustentado", afirma. "Os pacotes anunciados, de trilhões de dólares, para recuperar ativos podres dos bancos só servem para reforçar o poder financeiro de banqueiros. Ou seja, não está havendo mudança."
SOBRE A CÚPULA
- - A primeira reunião de governança progressista aconteceu em 1999, entre Bill Clinton (EUA), Tony Blair (Reino Unido), Gherard Schröder (Alemanha), Wim Kok (Holanda) e Massimo D'Alema (Itália)
- - O objetivo era criar um espaço para troca de políticas e práticas de centro-esquerda
- - A primeira Cúpula oficial aconteceu
em 2000 em Berlim, com a adesão dos presidentes Ricardo Lagos (Chile) e Fernando Henrique Cardoso (Brasil) - - Outras edições da Cúpula aconteceram em Estocolmo (2002), Londres (2003), Budapeste (2004) e Johannesburgo (2006)
- - Esta é a primeira vez que a Cúpula Progressista acontece na América Latina
Calda diz que momentos de crise são uma oportunidade para mudar, mas as ações propostas pela Cúpula ainda são limitadas. "Busca-se uma nova configuração de poder, mas essa nova realidade ainda não existe. Pode haver pequenas mudanças paliativas, mas não acredito em uma grande mudança estrutural", diz.
O professor destaca, no entanto, que a grande virtude do encontro é reunir líderes que têm em comum o apoio à democracia. "Esse é o maior avanço das esquerdas", explica. "Até pouco tempo a democracia era um meio para se chegar ao socialismo, à redenção, à salvação social ou a qualquer propósito implícito ou explicito. Hoje a democracia é um fim e é valorizada pelo o que ela é: respeito à diversidade, às diferentes opiniões, ao direitos humanos. Antes as esquerdas desprezavam aquilo que chamavam de democracia burguesa. Hoje não existe mais essa divisão, o que existe são governos autoritários e democráticos".