O deputado Jared Polis tinha algo mais em mente quando visitou o Iraque nesta semana do que as condições de segurança ou a retirada das tropas: o caso de um homem supostamente sentenciado à morte por um tribunal criminal por filiação a um grupo de direito dos gays.
Um membro assumidamente gay do Congresso, Polis está investigando o tratamento dado aos gays no Iraque há vários meses, e na semana passada falou por telefone, por meio de um intérprete, com um iraquiano transexual que disse ter sido preso, espancado e estuprado pelas forças de segurança do Ministério do Interior.
Grupos de direitos humanos que acompanham a questão também entregaram a Polis, um democrata de Boulder, Colorado, uma carta supostamente escrita na prisão de um homem que disse ter sido espancado até confessar ser membro do grupo iraquiano de direitos dos gays, LGBT, e ser sentenciado à morte por um tribunal em Al Karkh. A sentença de morte supostamente já teria sido executada.
"Há alguém que possa me ajudar antes que seja tarde demais?" dizia a carta, cujo nome do autor não foi divulgado para proteger sua família.
Polis levou algumas das evidências consigo ao Iraque, apresentando aos funcionários do Departamento de Estado em Bagdá a carta contendo as alegações e pressionando os membros do comitê de direitos humanos do Parlamento iraquiano.
"Nós veremos se o governo iraquiano fala sério a respeito da proteção dos direitos humanos de todos os iraquianos e também veremos que papel nosso próprio Departamento de Estado pode exercer na proteção desta minoria no Iraque", disse Polis por telefone na quarta-feira (7), após deixar o país, mas antes de retornar aos Estados Unidos.
As alegações são extremamente sensíveis tanto para o governo iraquiano quanto para as autoridades americanas, que gastaram bilhões de dólares em apoio ao atual regime liderado pelos xiitas e a nova era democrática que representa.
As autoridades iraquianas reconheceram que seis homens gays foram mortos em Sadr City nas duas últimas semanas.
E na quarta-feira, o "New York Times" noticiou que a polícia iraquiana deu início a uma repressão aos homossexuais - que são ilegais no Iraque - e que clérigos influentes pediram para que fossem procurados e mortos.
Mas as mortes e desaparecimentos até o momento são atribuídos a parentes envergonhados das atividades do membro da família ou a grupos secretos associados aos elementos religiosos mais conservadores do país.
Mas Polis disse que o aspecto mais perturbador da perseguição é o possível envolvimento do próprio governo. O deputado afirmou que apesar dos funcionários do Departamento de Estado, em Washington, inicialmente rejeitarem as alegações de envolvimento do Ministério do Interior, o encarregado em Bagdá pediu uma maior documentação para falar com testemunhas e vítimas. Os funcionários do Departamento de Estado, em Washington, não responderam aos pedidos de comentário na quarta-feira.
"Nós temos nosso trabalho, que é fornecer os contatos e a informação que dispomos ao Departamento de Estado e, com a permissão dos envolvidos, alguns aceitaram que suas informações também fossem repassadas ao governo iraquiano", disse Polis.
Tradução: George El Khouri Andolfato