UOL Notícias Internacional
 

22/04/2009 - 05h00

Sul-africanos vão às urnas para eleger presidente; Jacob Zuma é o favorito

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Os eleitores da África do Sul vão às urnas nesta quarta-feira (22) para eleger seu novo presidente. O partido majoritário Congresso Nacional Africano (ANC, da sigla em inglês), que ganhou legitimidade na luta contra o apartheid, é mais uma vez o favorito, com 64% das intenções de voto nas pesquisas.

IMAGENS DA CAMPANHA

  • Jerome Delay/AP - 19.abr.2009

    Nelson Mandela posa ao lado
    do candidato Jacob Zuma

  • Mark Wessels/Reuters - 19.abr.2009

    Veterano antiapartheid faz discurso em comício do Cope

  • Mark Wessels/Reuters - 19.abr.2009

    Helen Zille, líder da Aliança Democrática, discursa

O candidato do ANC, Jacob Zuma, 67 anos, da etnia zulu, deve ser designado o próximo presidente da República. Zuma deve ser eleito porque seu partido, que é o mesmo de Nelson Mandela e está no poder desde 1994, é o mais popular entre os pobres sul-africanos. No ano passado, o partido enfrentou pela primeira vez um racha. Dissidentes formaram o COPE, ou Congresso do Povo, que pode ter até 15% dos votos e tornar mais equilibrado o jogo de forças no país.

Legitimado pela luta contra o apartheid, o ANC ganhou as três eleições gerais organizadas desde 1994, data da instauração da democracia e da eleição de Mandela como primeiro presidente negro do país. Em 2004, o partido obteve mais de 69% dos votos.

Nesta ocasião, os diferentes partidos da oposição convocaram os eleitores a se mobilizar para privar o ANC de sua maioria de dois terços que permite modificar a Constituição à vontade.

Questões judiciais
Durante a maior parte da campanha, os problemas judiciais de Zuma relegaram ao segundo plano as questões sociais e econômicas que continuam afetando o país, 15 anos depois da queda do regime racista.

Há três anos, Zuma foi acusado de estupro e julgado. Aos juízes, o hoje candidato disse que sabia que a mulher tinha Aids, mas levou a relação sexual adiante, sem camisinha, porque "o risco de pegar Aids para o homem é mínimo". Arrematou dizendo que tomou uma ducha em seguida, porque isso reduziria ainda mais o risco. Acabou absolvido, mas selou ali a ira eterna dos ativistas de combate à Aids a ele e a seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA).

Em 7 de abril, depois de oito anos de investigação, a procuradoria arquivou as acusações por fraude e corrupção contra Zuma. O procurador-geral do país baseou a decisão nos "abusos de poder" cometidos pelo chefe da investigação.

O anúncio provocou um certo desconforto no país, depois de meses de lutas dentro do partido governista. O confronto provocou em 2008 a renúncia do presidente Thabo Mbeki, acusado pelo próprio ANC de ter instruído a Justiça em uma disputa pessoal com Zuma, seu rival.

Outro partido importante de oposição na disputa é a Aliança Democrática, liderada pela prefeita da Cidade do Cabo, Helen Zille, e que tem um apelo grande junto à minoria de brancos, que compõem cerca de 10% da população. "Se o ANC obtiver dois terços dos votos e Zuma se converter em presidente, as consequências serão graves", disse Zille.

O encerramento da campanha do ANC, neste domingo (19), em um comício lotado em Johannesburgo, contou com a presença de Nelson Mandela, que ofuscou o candidato Jacob Zuma.

A Comissão Eleitoral Independente prevê a participação recorde de mais de 20 milhões de eleitores.



Problemas
O novo presidente sul-africano vai enfrentar diversos desafios em sua gestão. A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) indica que o problema da pobreza e suas manifestações, o desemprego e o déficit no setor educacional são as maiores ameaças ao desenvolvimento econômico da África do Sul.

O Instituto Sul-Africano de Relações Raciais afirma que o número de habitantes que vive com menos de US$ 1 por dia duplicou nos últimos dez anos, o que significa mais de 4 milhões dos 48 milhões de habitantes do país, apesar de o território sul-africano ser rico em minerais e metais preciosos. O desemprego afeta mais de 50% dos menores de 24 anos.

O crescimento da pobreza se deve ao aumento do desemprego e do subemprego, que atingem cerca de 40% da população economicamente ativa, segundo estudos privados, embora a taxa oficial seja de 24%. Outro problema é a criminalidade, com média de 50 homicídios por dia - a polícia e os tribunais do país estão sobrecarregados.

Nos bairros marginais e nas zonas rurais, as escolas e os hospitais públicos carecem de recursos e funcionários qualificados, com a Aids provocando um grande estrago no país, que tem 5,5 milhões de soropositivos.

Calcula-se que cerca de mil pessoas morram por dia na África do Sul por conta da Aids, e por isso o Ministério da Saúde local iniciou um programa pelo qual 220 mil receberão tratamento antirretroviral gratuito este ano - 700 mil já contam com essa ajuda.

No entanto, segundo informa a ONG Médicos Sem Fronteiras, dirigentes do Ministério da Saúde sul-africano admitiram que faltam 76 milhões de euros (cerca de R$ 220,8 milhões) para que seus objetivos sejam conquistados.

Apesar da falta de orçamento, o ANC afirma em seu programa eleitoral que pretende reduzir o número de infectados pelo vírus em mais de 50% e fornecer tratamento a 80% dos doentes.

As infecções por HIV ocorrem em grande parte em vítimas de violações: na África do Sul ocorrem em média 500 mil agressões sexuais por ano, o que significa quase um caso por minuto.

A ONG Médicos Sem Fronteiras alerta que oito em cada nove violações não são denunciadas e que, "em algumas áreas do país, as agressões sexuais se transformaram em algo normal". O ANC assegura, por sua vez, que nos próximos cinco anos combaterá a delinquência "sendo mais duro com os criminosos e aumentando o treinamento e os salários dos policiais".

*Com informações da EFE, AFP e Folha Online

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