UOL Notícias Internacional
 

28/04/2009 - 16h15

OMS compara gripe suína ao surto da gripe espanhola; número de casos chega a 114

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
*Atualizada às 20h14

A Organização Mundial de Saúde afirmou nesta terça-feira (28) que o recente surto de gripe suína pode levar a uma pandemia branda, mas alertou que a pandemia de 1918, causada com a gripe espanhola, que deixou dezenas de milhões de mortos, começou da mesma forma.

Prevenção nos aeroportos pelo mundo

  • Jung Yeon-je/AP

    Funcionário de aeroporto de Seul (Coreia do Sul) mede temperatura de bebê que chegou ao país

Em todo o mundo, foram confirmadas 114 pessoas, em oito países, com a doença: México (26), Estados Unidos (65), Canadá (13), Nova Zelândia (3), Espanha (2), Reino Unido (2), Israel (2) e Costa Rica (1). Além desses casos, há 152 mortes atribuídas à doença - todas aconteceram no México. No Brasil não há nenhum caso oficialmente classificado como "suspeito", mas o Ministério da Saúde monitora o estado de 20 pessoas espalhadas por oito Estados: Amazonas (3), Bahia (2), Minas Gerais (3), Pará (1), Paraná (4), Rio de Janeiro (2), Rio Grande do Norte (2) e Santa Catarina (3).

"É completamente possível (...) que vejamos uma pandemia bastante branda", afirmou o diretor-geral adjunto para segurança sanitária da OMS, Keiji Fukuda. "Acho que devemos estar cientes e respeitar o fato de que a influenza se move de uma maneira que não podemos prever."

"A pior pandemia do século 20 aconteceu (...) em 1918 e também começou como uma pandemia relativamente branda que não chegou a ser muito notada na maioria dos lugares. Depois, ela se tornou uma pandemia bastante séria, um dos mais sérios episódios de doenças contagiosas já registrados", acrescentou Fukuda.

Como a gripe espanhola

A pior pandemia do século 20 aconteceu (...) em 1918 e também começou como uma pandemia relativamente branda que não chegou a ser muito notada na maioria dos lugares. Depois, ela se tornou uma pandemia bastante séria, um dos mais sérios episódios de doenças contagiosas já registrados

Diretor-geral adjunto para segurança sanitária da OMS, Keiji Fukuda
O diretor da OMS afirmou ainda que há uma possibilidade de que o novo vírus ganhe amplitude regional em diversos países, mas ressaltou que é cedo para dizer que isso é inevitável.

A Organização Mundial da Saúde também anunciou que vai se concentrar em países em desenvolvimento, que demonstram menor disponibilidade de recursos e infraestrutura para combater esse tipo de emergência.

Na América Central
A ministra da Saúde da Costa Rica, María Luisa Ávila, informou hoje que uma mulher de 21 anos que chegou do México há três dias está infectada pelo vírus da gripe suína.

Com a confirmação, a Costa Rica se torna o primeiro país da América Central a registrar um caso da doença. Amostras de sangue da paciente foram analisadas pelo Instituto de Pesquisa e Ensino em Nutrição e Saúde (Inciensa) e enviadas para Atlanta, nos Estados Unidos, aos cuidados do Centro de Controle de Doenças (CDC).

Nos Estados Unidos, o número de casos confirmados aumentou para 65 e o presidente Barack Obama pediu aos líderes do Congresso um adicional de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 3,3 bilhões) para "reforçar a capacidade de responder à potencial disseminação deste surto".

O porta-voz da Casa branca, Robert Gibbs, disse que esses fundos seriam usados para incrementar os estoques de antivirais, desenvolver uma vacina e reforçar o sistema público norte-americano de saúde.

Em Nova York, autoridades disseram hoje que "centenas de estudantes podem estar com gripe suína" e que há duas pessoas internadas com sintomas que podem estar relacionados ao vírus causador da doença.

"Não vamos tentar examinar todos eles. Portanto, vamos nos focar em observar se algum desenvolve sintomas graves da doença, algo que por enquanto não aconteceu", disse em entrevista coletiva o secretário de Saúde da cidade, Thomas Frieden.

Situação no Brasil
O Ministério da Saúde começou nesta segunda-feira (dia 27) a distribuir panfletos sobre a gripe suína nos principais aeroportos do país e a fazer uma triagem dos passageiros provenientes de México, Estados Unidos e Canadá para tentar barrar a chegada do vírus.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou após reunião do Gabinete Permanente de Emergência, em Brasília, que ainda serão compradas 100 mil máscaras para serem distribuídas nos aeroportos que recebem passageiros vindos da América do Norte.

"É importante que se diga que não há motivo para pânico. Todas as autoridades sanitárias do Brasil têm tomado providências suficientes. Não temos neste momento nenhum caso identificado no país e as medidas que podem ser tomadas são preventivas, de orientação para as pessoas, para que, ao menor sinal de sintomas relacionados, que procurem o serviço de saúde para que recebam orientação adequada", explicou o secretário de atendimento à saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame.

Um total de 51 hospitais de referência já foram mobilizados pelo Ministério da Saúde, além de secretarias municipais e estaduais para atender eventuais casos humanos de gripe suína no Brasil, ainda não registrados.

No Rio de Janeiro, três hospitais confirmaram que vão oferecer leitos especiais destinados ao tratamento de casos suspeitos da doença, de acordo com as normas de isolamento da OMS.

Para o presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Osmar Terra, "todo risco de pandemia preocupa". Ele afirma, no entanto, que o Brasil está preparado para evitar a entrada da doença no país e combatê-la, se for necessário. "O Brasil está fiscalizando a entrada nos aeroportos e cada Estado tem um sistema de isolamento nos hospitais. O Brasil está preparado para uma eventual pandemia."

Saiba mais sobre a doença



O vírus da gripe suína afeta tipicamente porcos, não humanos. No entanto, o vírus sofreu mutações com misturas entre vírus que atacam suínos, aves e humanos.

O vírus H1N1 é a mesma variedade que causa epidemias de influenza em humanos. É transmitido, entre pessoas, principalmente por espirros e tosses.

Os sintomas são febre superior a 39ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Embora já existam remédios que pareçam ser eficazes contra o vírus, especialistas querem saber a razão de algumas pessoas ficarem gravemente doentes enquanto outras apresentam apenas sintomas mais leves de gripe.

Para evitar a contaminação, o Ministério da Saúde pede que as pessoas não compartilhem alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. Recomenda-se também lavar as mãos com frequência, por 15 a 20 segundos, usando água e sabão ou até gel à base de álcool, especialmente depois de tossir ou espirrar, evitando levar a mão aos olhos, ao nariz ou a boca.

Saiba como a gripe suína se espalha entre humanos

*Com agências internacionais, Folha Online e BBC Brasil

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