A China, principal aliada norte-coreana no Conselho de Segurança da ONU, ecoou nesta segunda-feira a preocupação de seus colegas do órgão e pediu o fim de teste nucleares na Coreia do Norte - o regime norte-coreano anunciou nesta segunda-feira ter realizado com êxito um novo teste nuclear e o lançamento de três mísseis de curto alcance. A ONU realizará uma reunião de emergência ainda hoje em Nova York (EUA) para discutir o segundo teste nuclear da Coreia do Norte.
O sul-coreano Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, disse estar "profundamente preocupado" com o caso. Em entrevista a uma TV dinamarquesa, Ban Ki-Moon disse que "estou profundamente preocupado. Sigo de perto aquela região, e seguirei para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Nova York".
Pyongyang citava a ameaça de represálias - entre eles um novo teste nuclear - desde que no mês passado a ONU condenou o lançamento de um foguete de longo alcance que sobrevoou o Japão no início de abril.
O Japão fará pressão hoje para conseguir uma firme resolução da ONU de condenação ao teste nuclear da Coreia do Norte, mas a experiência mostra que acordos como esse, extremamente difíceis de serem alcançados, não foram suficientes para minar a ambição atômica do ditador Kim Jong-il.
Tóquio pediu a convocação urgente do Conselho de Segurança (CS) da ONU a seu atual presidente, Rússia, horas depois de o regime comunista norte-coreano informar que fez seu segundo teste nuclear, de maior potência que o de 9 de outubro de 2006 e que gerou um tremor de 4,5 graus na escala Richter.
CRONOLOGIA
Agosto de 1998 | Coreia do Norte provoca uma crise internacional ao disparar um míssil de longo alcance que sobrevoa o Japão e se autodestroi sobre o oceano Pacífico. Pyongyang afirma que lançou um "lançador de satélite" |
Janeiro de 2003 | Coreia do Norte se retira do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) |
Outubro a dezembro de 2003 | ONU vota sanções econômicas e comerciais. Início de difíceis negociações entre seis países (EUA, Rússia, China, Japão, Coreia do norte e Coreia do Sul) com o objetivo de desmantelar as instalações nucleares norte-coreanas em troca de ajuda econômica |
Julho de 2006 | Coreia do Norte realiza o lançamento de mais sete mísseis |
Outubro de 2006 | Regime comunista norte-coreano explode sua primeira bomba atômica. Segundo especialistas, o país tem plutônio suficiente para fabricar de 5 a 12 bombas "A" |
Fevereiro de 2007 | Coreia do Norte aceita iniciar o desmantelamento de seu programa nuclear |
| 2007 a 2008 | Outros mísseis, de curto alcance, são lançados. A interpretação de especialistas é que se trata de intimidação para aumentar a pressão e negociar usando a força |
24 de fevereiro de 2009 | Coreia do Norte anuncia que irá lançar um "satélite", desconsiderando as advertências de Coreia do Sul e Estados Unidos |
1º de abril de 2009 | Coreia do Norte ameaça abater todo e qualquer avião americano que violar seu espaço aéreo para vigiar o lançamento de seu foguete |
25 de maio de 2009 | Coreia do Norte confirma realização de segundo teste nuclear |
Os vizinhos mais próximos da Coreia do Norte, Coreia do Sul e Japão, qualificaram a ação de "provocação inaceitável", um "desafio" à comunidade internacional e uma "ameaça" para a paz na região, e defenderam uma postura internacional unânime.
China pede a Coreia do Norte que não agrave a situação
A China, aliada da Coreia do Norte, pediu nesta segunda-feira a Pyongyang que interrompa qualquer ação que possa agravar a situação, depois do anúncio do regime norte-coreano de um teste nuclear.
"A comunidade internacional deve responder unida", disse o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, que afirmou que seu país buscará a aprovação de uma nova resolução da ONU na reunião que o CS realizará ainda hoje em Nova York.
"O teste nuclear viola claramente as resoluções do Conselho de Segurança, por isso que é natural que o Japão defenda uma nova resolução", explicou Aso.
O líder japonês teve uma conversa por telefone com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, com quem acordou cooperar estreitamente sobre o conflito nuclear da Coreia do Norte, em colaboração com os Estados Unidos.
Comissão Europeia considera "provocação" teste norte-coreano
O presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, condenou hoje, em Copenhague, o teste nuclear da Coreia do Norte e a considerou uma "provocação", disse o porta-voz comunitário Amadeu Altafaj, em entrevista coletiva.
"Estamos muito preocupados com o teste nuclear" de Pyongyang, declarou Altafaj, e lembrou que a União Europeia (UE) pediu firmemente à Coreia do Norte várias vezes "que não dê mais passos que aumentem as tensões e prejudiquem a paz e a estabilidade".
O presidente dos EUA, Barack Obama, qualificou de "ameaça para a paz e a segurança internacional" o novo teste nuclear da Coreia do Norte, país que, para ele, "está enfrentando de forma direta e temerária a comunidade internacional".
Nessa mesma linha se manifestaram Coreia do Sul e Japão, cujas reações foram praticamente idênticas.
Ambos os países criticaram o "desafio" representado pelo teste nuclear para o regime de não-proliferação, que a Coreia do Norte abandonou em 2003, e a ameaça que também representa para a paz na região e no mundo.
Segundo disse à Agência Efe um porta-voz oficial sul-coreano, Seul quer uma resposta do Conselho de Segurança da ONU, que deve passar por "medidas apropriadas" contra o Norte.
A Coreia do Sul, porém, não precisou se é necessária outra resolução por considerar o tema delicado.
Aso, por sua vez, insistiu hoje que a ação norte-coreana é "inaceitável" e que viola as resoluções das Nações Unidas.
Cinco dias depois do primeiro teste nuclear norte-coreano, em 9 de outubro de 2006, o Conselho de Segurança aprovou a resolução 1718, que exige a Pyongyang que abandone os testes de armas nucleares e de mísseis balísticos, assim como o desenvolvimento desse tipo de armamento.
Coreia do Norte está cada vez mais beligerante, afirma almirante americano
A Coreia do Norte está cada vez mais beligerante e não existe razão para duvidar que este país executou um teste nuclear, opinou o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, almirante Mike Mullen.
"Está cada vez mais beligerante", declarou Mullen ao canal CNN. "Levaremos alguns dias para verificar este teste, mas não temos nenhum sinal que nos faça duvidar de que aconteceu da maneira como eles disseram", completou.
O texto supôs então para Coreia do Norte sanções comerciais que dificultaram o acesso a tecnologias relacionadas com esse tipo de armas, porém não conseguiu paralisar a corrida militar e nuclear do regime comunista.
Em 5 de abril, Pyongyang lançou um foguete de longo alcance que caiu no mar a cerca de 3 mil quilômetros de sua base, o que evidenciou, como parece ocorrer agora com o teste nuclear, avanços no desenvolvimento de seu programa de armas.
Após muitos dias de debates, o Conselho de Segurança não foi capaz de aprovar uma resolução, apenas uma condenação, para esse lançamento, apesar da pressão japonesa e devido, sobretudo, à indiferença da China, principal aliado da Coreia do Norte.
O Governo chinês mostrou hoje sua "firme oposição" ao novo teste nuclear norte-coreano, como já fez no caso do teste de outubro de 2006, mas não deixou entrever qual será sua atuação no Conselho de Segurança.
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Com informações de AFP, Efe e Reuters; nota atualizada às 10h20