Atualizada às 22h00As principais potências militares do mundo propuseram nesta quarta-feira uma expansão das sanções contra a Coreia do Norte, em resposta às manobras militares realizados pelo país comunista esta semana, que incluíram um teste nuclear e o lançamento de mísseis de curto alcance.
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Como o mundo deve reagir aos testes de mísseis da Coreia do Norte?
Os cinco países com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) e as duas nações afetadas mais de perto pela ameaça norte-coreana, Japão e Coreia do Sul, discutiram possíveis sanções e outras medidas, segundo informou um diplomata à agência AP, sob condição de anonimato. As reuniões acontecem em sigilo.
A fonte declarou que há um claro comprometimento por novas sanções em uma nova resolução e os tradicionais aliados da Coreia do Norte - China e Rússia - não apresentam oposição.
O conteúdo concreto das sanções, contudo, ainda não está definido. EUA e Japão estavam compilando sugestões para apresentar a seus pares e embaixadores dos sete países devem se encontrar novamente até a tarde desta quinta-feira.
SançõesAs propostas discutias pelas potências mundiais para sancionar a Coreia do Norte vão desde um amplo embargo ao país até um congelamento de bens de indivíduos e companhias ou restrições a operações financeiras.
As sanções impostas a Pyongyang em 2006, após seu primeiro teste nuclear, autorizavam buscas por armas em navios e baniam a venda de itens de luxo ao país, como maneira de atingir a elite que comanda a Coreia do Norte.
Uma nova resolução do Conselho de Segurança deverá também condenar a Coreia do Norte por violar a resolução de 2006, que proibiu testes nucleares e com mísseis balísticos.
Ao mesmo tempo, Rússia e China insistiam que o conselho desse a chance para que Pyongyang demonstrasse "boa vontade" antes da expansão das sanções, o que poderia significar o estabelecimento de um prazo para que as medidas entrassem em vigor.
Essa cooperação por parte da Coreia do Norte poderia ser concretizada, segundo o diplomata, com a retomada das negociações pelo desarmamento e autorização às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica.
Críticas dos EUAA secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton alertou, nesta quarta-feira (27), que a Coreia do Norte vai enfrentar as consequências pelas ameaças "provocativas e beligerantes" que o país asiático tem feito.
"A Coreia do Norte fez uma escolha e terá consequências", disse Clinton, denunciando que o país violou as resoluções do Conselho de Segurança, ignorou as advertências internacionais e revogou compromissos de desarmamento nuclear.
BRASILEIROS
Brasileiros que moram na capital da Coreia do Sul, Seul, acreditam que não há clima de prenúncio de guerra nas ruas do país.
"Eu não sinto preocupação. O povo não parece preocupado", disse à BBC Brasil Flávio Lenz, que é estudante de pós-graduação e mora no país há mais de três anos
Clinton também disse que está satisfeita com a união da comunidade internacional em condenar a Coreia do Norte que inclui Rússia e China. "O sucesso de qualquer sanção vai depender de quão agressivamente a China vai implementá-la", disse.
Mas Clinton, apesar das duras palavras, também citou que tem esperança de que a Coreia do Norte retorne ao tratado de desarmamento nuclear o que "vai beneficiar o povo da Coreia do Norte, a região e o mundo".
Fim do armistícioAs declarações vêm depois de a Coreia do Norte manter nesta quarta-feira os testes com mísseis, apesar das críticas internacionais. Após lançar, pelo terceiro dia consecutivo, um míssil de curto alcance em sua costa leste, o regime de Pyongyang encerrou o armistício assinado em 1953, após a Guerra das Coreias, e ameaçou atacar a vizinha Coreia do Sul como retaliação por aderir à iniciativa norte-americana contra o tráfico de armas de destruição em massa.
A Coreia do Norte anunciou que responderá com um ataque militar se seus navios forem interceptados e que também não garante a segurança dos navios estrangeiros no Mar Ocidental (Mar Amarelo), onde em anos recentes as duas Coreias mantiveram confrontos armados. Em seu recado mais beligerante dentro da crise iniciada pelo teste nuclear de segunda-feira (25), a Coreia do Norte alertou que verá como uma declaração de guerra qualquer participação de Seul no exercício naval.
"Qualquer ato hostil contra nossos navios pacíficos, incluindo busca e apreensão, será considerado uma infração imperdoável de nossa soberania e responderemos com um poderoso ataque militar", disse um porta-voz de Pyongyang, citado pela agência de notícias estatal KCNA.
*Com agências internacionais