UOL Notícias Internacional
 

24/06/2009 - 14h08

Argentina pede "serenidade" para evitar pânico; Chile lamenta recomendação brasileira para evitar viagens

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O governo argentino pediu nessa quarta-feira (24) "serenidade" para que não haja uma "campanha de pânico" como ocorreu no México e ressaltou que as medidas adotadas pelo Brasil diante do surto de gripe suína são "preventivas e não proibitivas".

Em nota oficial, a Secretaria de Turismo da Argentina diz que "segue atentamente os efeitos das medidas tomadas pelas autoridades brasileiras como consequência do impacto da gripe A na Argentina" e ressalta que não é hora de pânico.

"No México se desencadeou uma lamentável campanha de pânico, enquanto os Estados Unidos aplicavam uma política mais sóbria, ainda que tivessem maior quantidade de doentes. Não é tempo para pânico nem indolência, é tempo de responsabilidade", afirma o porta-voz da Secretaria, Randolfo Segura, na nota.

O governo argentinou ressaltou que no ano passado 871.000 brasileiros visitaram o país e enfatizou que são esperados 40.000 brasileiros nas estações de esqui, especialmente em Bariloche, nesta temporada de inverno.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, também se manifestou sobre a posição do governo brasileiro e lamentou que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tenha recomendado o adiamento das viagens para Argentina e Chile para evitar o contágio da gripe. "Me dou conta que dá medo que a gripe chegue, mas a verdade é que a única solução é a cooperação, trabalhar em conjuntos e não fechar as portas ao movimento e ao ingresso de pessoas entre os países", declarou.

"Parece-nos que esse tipo de resposta, que vem do medo, não é a resposta que aqueles que trabalham com saúde sabem que são necessárias para enfrentar uma epidemia desta natureza", completou, ressaltando que viajará hoje ao México, país mais afetado pela doença, para prestar solidariedade ao governo local.

A ministra da Saúde da Argentina, Graciela Ocaña, no entanto, considerou razoável a postura do governo brasileiro e disse que a medida "não incomoda" as autoridades do país vizinho. "É uma recomendação de saúde como a que nós fizemos, para que as pessoas evitem viajar a zonas de risco, como Estados Unidos, Canadá e México", declarou ao canal de televisão "Todo Noticias".

A recomendação brasileira foi direcionada a pessoas com 60 anos ou mais, crianças com até dois anos e pessoas com baixa imunidade.

Com 17 mortos registrados até ontem, a Argentina é o país sul-americano com maior número de vítimas fatais da gripe. Um balanço da Secretaria aponta que 40% dos 116 casos da gripe registrados em São Paulo até o dia 22 junho foram de pacientes que se infectaram durante viagem para a Argentina.

* com informações da EFE.

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