UOL Notícias Internacional
 

05/07/2009 - 14h39

Zelaya diz que retornará a Honduras mesmo sem apoio de presidentes sulamericanos

Do UOL Notícias
Em São Paulo
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou neste domingo que irá voltar ao país mesmo sem a companhia de presidentes da América do Sul. Ele deve retornar a Honduras ao lado do presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, desafiando o governo interino de Honduras, que ameaça prender Zelaya quando ele chegar ao país.

Em entrevista coletiva em Washington, o presidente deposto disse que uma comissão integrada pelos presidentes do Equador, Rafael Correa, da Argentina, Cristina Kirchner, e do Paraguai, Fernando Lugo, irá viajar para El Salvador para acompanhar o seu retorno.

"Se Zelaya aterrissar e considerar oportuno, iremos", disse o presidente equatoriano. "Há uma grande mobilização da população em Tegucigalpa e nós não sabemos se o governo interino vai se atrever a reprimir essas pessoas. Então nós decidimos que o mais prudente era que o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, acompanhasse o presidente Zelaya na volta a Tegucigalpa", afirmou Correa.

A presidente Argentina havia anunciado que nenhum presidente acompanharia o hondurenho.

Além da desistência dos colegas presidentes, o governo interino de Honduras informou neste domingo que não permitirá a aterrissagem de nenhum avião que transporte o presidente deposto.

"Há ordens para não entrar", declarou o chanceler interino, Enrique Ortez, a uma emissora de rádio local.

Suspensão da OEA

A OEA suspendeu Honduras da organização pelo golpe contra Zelaya. Ele foi retirado do poder por militares, há uma semana, com o aval de representantes dos poderes Legislativo e Judiciário do país.

GOVERNO INTERINO NÃO PERMITIRÁ ENTRADA DE PRESIDENTE DEPOSTO



O novo chanceler de Honduras, Enrique Ortez, minimizou a importância da suspensão. Ortez afirmou que seu governo decidiu na sexta-feira (03) sair da OEA em exercício de sua "soberania" e em "repúdio" à pretensão desse organismo de reinstalar Zelaya.

"A única coisa que a OEA pode fazer é nos tirar e fica nisso. É o pior que pode nos acontecer. Continuamos sendo um Estado soberano e ainda somos membros das Nações Unidas", disse.

Além disso, o chanceler enfatizou que países podem ter relações bilaterais. "Neste sentido, bilateralmente, o comércio vai continuar. [O secretário-geral da OEA, José Miguel] Insulza não pode suspender o comércio. Isso vai continuar", afirmou.

Ele ainda lembrou que Cuba esteve suspensa da OEA de 1962 até este ano. "Ali está Fidel Castro, não lhe aconteceu nada por essa separação do Sistema Interamericano", declarou.

*Com agências internacionais e a Folha Online

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host